News
A CISA, e um conjunto de parceiros internacionais, recomendam que os operadores de infraestruturas críticas preparem planos para isolar sistemas operacionais durante ciberataques
31/07/2026
|
A Cybersecurity and Infrastructure Security Agency (CISA), em conjunto com o Australian Cyber Security Centre (ACSC), o FBI e outros parceiros internacionais, publicou um novo guia com recomendações para ajudar operadores de infraestruturas críticas a isolar rapidamente sistemas operacionais essenciais em caso de ciberataque ou de outra situação de elevada gravidade. O documento, intitulado “CI Fortify – Advice for Isolating Vital Systems”, pretende ajudar organizações dos setores da energia, água, transportes, telecomunicações e indústria a manter serviços essenciais mesmo quando são obrigadas a desligar parte da infraestrutura tecnológica para conter um incidente de segurança. As agências alertam que operadores de infraestruturas críticas continuam a ser alvo de grupos de cibercrime e de ameaças patrocinadas por Estados, que procuram tanto extorquir organizações através de ransomware como manter acesso persistente a sistemas para futuras operações de sabotagem. Por esse motivo, defendem que os planos de isolamento devem ser preparados antecipadamente, em vez de serem definidos durante uma resposta a incidente. O guia recomenda que as organizações identifiquem previamente quais os sistemas mínimos necessários para garantir a continuidade dos serviços essenciais e documentem todas as ligações existentes entre esses sistemas e redes corporativas, serviços cloud, acessos remotos, fornecedores e infraestruturas externas. Isolamento físico é a medida mais eficazEntre as recomendações, o documento destaca o isolamento físico como a forma mais eficaz de impedir a propagação de um ataque entre redes críticas e não críticas. Quando essa abordagem não é viável, as agências sugerem uma estratégia de isolamento gradual, que pode começar pela suspensão dos acessos remotos e de fornecedores externos, evoluindo para o desligamento das ligações às redes corporativas e, se necessário, para a desconexão total dos sistemas críticos. O guia refere ainda a utilização de equipamentos como data diodes, que permitem a circulação de dados apenas num sentido, reduzindo o risco de movimentos laterais por parte dos atacantes. A importância dos testes regularesAs autoridades recomendam que os operadores testem regularmente os procedimentos completos de isolamento, e não apenas componentes individuais, para identificar dependências ocultas que possam comprometer a continuidade do serviço. O plano deve definir claramente quem pode autorizar o isolamento, em que circunstâncias este deve ser acionado, quais os sistemas que devem permanecer operacionais e como será assegurada a continuidade das operações durante o período em que as redes estiverem desligadas. As agências aconselham ainda a manter cópias offline ou impressas destes procedimentos, garantindo o acesso às instruções caso os sistemas corporativos fiquem indisponíveis. Isolamento também cria novos desafiosApesar de reforçar a proteção contra a propagação de ataques, o isolamento também introduz riscos operacionais. Entre eles estão o atraso na aplicação de atualizações de segurança, a redução da capacidade de monitorização e a necessidade de recorrer a suportes físicos para a transferência de dados. Por isso, a CISA e os restantes organismos sublinham que as organizações devem preparar-se não apenas para desligar sistemas críticos, mas também para os operar e manter de forma segura até que seja possível restabelecer a ligação à restante infraestrutura. |