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Os serviços de inteligência finlandeses alertam que a Rússia e a China continuam a conduzir operações intensivas de ciberespionagem e influência, visando o setor tecnológico, instituições de investigação e organismos governamentais do país
12/03/2026
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A Finlândia continua a ser alvo de operações de ciberespionagem conduzidas por serviços de inteligência da Rússia e da China, segundo um novo relatório de avaliação de segurança nacional divulgado pelo Serviço de Segurança e Inteligência da Finlândia (SUPO, no acrónimo em finlandês). De acordo com o documento, as atividades de espionagem estrangeira são generalizadas e persistentes, combinando intrusões cibernéticas, espionagem tradicional e campanhas de influência destinadas a recolher informação sensível e a influenciar processos de decisão política e estratégica. “O principal risco para a Finlândia resulta das operações contínuas conduzidas pelos serviços de inteligência russos e chineses em vários setores da sociedade finlandesa”, refere a agência, citada pelo The Record. O relatório destaca que a ciberespionagem representa atualmente a maior ameaça digital ao país, com ataques dirigidos a sistemas governamentais, universidades, centros de investigação e empresas envolvidas no desenvolvimento de tecnologias avançadas. Segundo o SUPO, a Finlândia enfrenta tentativas constantes de intrusão digital, sem sinais de que este tipo de atividade venha a diminuir no futuro. Além disso, o relatório alerta ainda para o crescente interesse de serviços de inteligência estrangeiros em universidades e instituições científicas, que podem deter dados estratégicos relacionados com investigação e desenvolvimento tecnológico. Segundo o SUPO, estas operações procuram roubar informação de investigação com o objetivo de reforçar a competitividade global de Estados autoritários e das suas empresas. A importância estratégica da Finlândia também tem aumentado nos últimos anos, sobretudo após a adesão do país à NATO em 2023, na sequência da invasão russa da Ucrânia. Esta integração reforçou o interesse de serviços de inteligência estrangeiros no país. O relatório refere que as expulsões em massa de diplomatas russos na Europa, muitos deles suspeitos de atuar como agentes de inteligência, enfraqueceram as redes tradicionais de espionagem de Moscovo. Como resposta, a Rússia tem intensificado operações cibernéticas e campanhas de influência para compensar essa perda. Estas campanhas procuram moldar o debate político e a opinião pública, muitas vezes recorrendo a informação parcialmente verdadeira combinada com narrativas enganadoras. Além disso, países nórdicos têm registado interferências de GPS na aviação, particularmente no norte da Finlândia e da Noruega. Autoridades regionais atribuem estas perturbações a sistemas militares russos instalados na península de Kola. O SUPO conclui que a Finlândia continuará exposta a uma ampla gama de operações de inteligência hostis, sublinhando que a integração crescente do país nas redes de segurança e tecnologia ocidentais deverá manter a ciberespionagem e as operações de influência como ameaças permanentes ao seu ambiente de segurança. |