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IA acelera ciberataque para menos de dez horas

A Unit 42 investigou um ataque de ransomware em que agentes de inteligência artificial automatizaram mais de 50 técnicas de intrusão e reduziram para menos de dez horas uma operação de semanas

05/09/2026

IA acelera ciberataque para menos de dez horas
IDOL'foto /AdobeStock

Um atacante utilizou agentes de Inteligência Artificial (IA) para automatizar grande parte de uma intrusão numa rede empresarial, completando em menos de dez horas uma sequência de ações que, segundo a Unit 42, poderia exigir cerca de duas semanas a operadores humanos.

O incidente foi investigado pela equipa de threat intelligence da Palo Alto Networks no contexto de um ataque de ransomware. Durante as negociações, o próprio atacante afirmou ter recorrido a modelos avançados de IA e a frameworks de IA agêntica específicas para operações ofensivas.

A Unit 42 identificou vários elementos consistentes com essa utilização, incluindo chamadas paralelas a diferentes agentes de IA, ficheiros Markdown estruturados para transmitir informação entre agentes e sessões e scripts personalizados que os investigadores avaliam, com elevada confiança, terem sido gerados por IA.

No total, a operação envolveu mais de 50 técnicas MITRE ATT&CK. A investigação não aponta para a utilização de uma nova vulnerabilidade zero-day. A principal diferença esteve na velocidade com que os agentes conseguiram analisar resultados, executar ações e reajustar autonomamente os passos seguintes.

De uma API às credenciais de administração

O acesso inicial ocorreu através da comprometimento de uma API pública, a partir da qual um agente automatizado realizou o reconhecimento da rede e identificou microserviços internos.

Outros agentes analisaram repositórios de código à procura de tokens e palavras-passe de serviços armazenados no código. As credenciais obtidas permitiram posteriormente aceder ao sistema de gestão de segredos e recolher credenciais administrativas, ampliando os privilégios do atacante.

A operação avançou também para os ambientes de desenvolvimento. O atacante executou ações não autorizadas em pipelines de integração e entrega contínuas (CI/CD) e tentou introduzir backdoors em configurações Terraform. Neste caso, os mecanismos de proteção dos branches impediram a alteração.

Foram ainda obtidas chaves de acesso à infraestrutura cloud da vítima. Segundo a Unit 42, estas permitiram utilizar endpoints de IA da própria organização como infraestrutura pós-compromisso, aproveitando os seus recursos computacionais e tornando parte da atividade menos distinta do tráfego legítimo.

Agentes mantiveram vários acessos em paralelo

A investigação encontrou mecanismos de persistência distribuídos por chaves SSH, funções serverless, políticas de reinício de containers, identidades cloud e pipelines CI/CD. A utilização de agentes permitiu gerir e testar estes diferentes acessos em paralelo.

Um elemento pouco habitual foi a documentação produzida durante a intrusão. O atacante instruiu um agente a elaborar um relatório técnico de 80 páginas sobre a postura de segurança da organização, incluindo vulnerabilidades exploradas e outros resultados obtidos durante o ataque.

Para responder a operações desta velocidade, a Unit 42 recomenda que as organizações consigam coordenar simultaneamente medidas como a revogação de credenciais, encerramento de sessões OAuth, suspensão de pipelines CI/CD e isolamento de contas cloud.

A equipa aconselha ainda a inventariar endpoints de modelos de IA, chaves API, gateways Model Context Protocol (MCP) e integrações com ferramentas de IA. Picos de pedidos API, rápidas alternâncias entre respostas HTTP 401 e 200, autenticações paralelas e utilização inesperada de modelos são alguns dos comportamentos apontados como possíveis sinais de operações automatizadas.


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