News
A NATO condenou formalmente as recentes campanhas maliciosas atribuídas à Rússia, apontando-as como ameaças diretas à segurança dos Estados-membros. A Aliança garante resposta coordenada face à escalada de ataques a infraestruturas críticas
21/07/2025
|
A NATO emitiu uma declaração a condenar “veementemente” os ciberataques atribuídos à Rússia, que considera uma ameaça à segurança dos Estados-membros. O comunicado surge após vários países – incluindo Estónia, França, Reino Unidos e Estados Unidos – terem apontado diretamente o serviço de inteligência militar russo (GRU) como responsável por campanhas maliciosas. De acordo com a NATO, as operações levadas a cabo pelo grupo APT28, amplamente reconhecido como sendo patrocinado pelo GRU, têm como alvo instituições de Estados-membros da Aliança e da Ucrânia. Em 2024, tanto a Alemanha como a Chéquia atribuíram publicamente ciberatividades maliciosas a este grupo, associando-as a uma campanha de desestabilização que inclui ataques a operadores de infraestruturas críticas em países como a Roménia. “As atribuições e o contínuo ataque à nossa infraestrutura crítica (…) ilustram a medida em que as ciberameaças e híbridas se tornaram ferramentas importantes na campanha em andamento da Rússia para desestabilizar os aliados da NATO”, lê-se no comunicado, que faz ainda referência à guerra contra a Ucrânia como parte integrante dessa estratégia. A NATO exige que Moscovo cesse de imediato as suas atividades “desestabilizadoras” e acusam o regime de Vladimir Putin de desrespeitar o quadro internacional para o comportamento responsável dos Estados no ciberespaço, estabelecido pelas Nações Unidos – um quadro que a Rússia afirma, em teoria, respeitar. Apesar das crescentes ameaças, a NATO assegura manter o apoio à Ucrânia, através de mecanismos como o Mecanismo de Tallinn e a coligação internacional de capacidades tecnológicas. A organização compromete-se ainda a aplicar as lições aprendidas durante o conflito ucraniano para fortalecer a sua própria ciber-resiliência. A declaração reitera ainda o compromisso da NATO com o ciberespaço “livre, aberto, pacífico e seguro”, e apela ao cumprimento das obrigações internacionais por parte de todos os Estados, incluindo a Rússia, também no domínio digital. Além da teoria condenatória, a NATO reforça que está a investir ativamente na sua capacidade de ciberdefesa. Uma das medidas estruturantes é o estabelecimento do novo Integrated Cyber Defence Centre da NATO, que complementa os compromissos assumidos anteriormente na Cyber Defence Pledge (Promessa de Ciberdefesa) e na Hague Summit Declaration (Declaração da Cimeira de Haia). “Estamos determinados a empregar toda a gama de capacidades para dissuadir, defender e combater o espectro completo de ciberameaças”, conclui o comunicado. A NATO deixa claro que vai responder a estas ameaças “num momento e de uma maneira da nossa escolha”, sempre em conformidade com o Direito Internacional e em estreita coordenação com os seus parceiros estratégicos, nomeadamente a União Europeia. |