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Relatório do Centro Nacional de Cibersegurança aponta uma elevada exposição a ciberameaças. Resiliência melhora, mas continua aquém do necessário
04/05/2026
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A sétima edição do Relatório Cibersegurança em Portugal, dedicada ao tema “Sociedade”, conclui que a sociedade portuguesa continua altamente exposta a ciberameaças, apesar de progressos na digitalização e no reforço de capacidades de segurança. O documento, desenvolvido pelo Observatório de Cibersegurança do Centro Nacional de Cibersegurança (CNCS), introduz uma nova abordagem metodológica centrada em três dimensões: estado da ameaça, superfície de ataque e nível de ciber-resiliência. A análise procura avaliar o grau de preparação da sociedade portuguesa para responder aos riscos no ciberespaço, num contexto de crescente digitalização de indivíduos, empresas e administração pública. Entre os principais resultados, destaca-se o aumento da exposição digital de cidadãos e famílias, o que eleva o risco de ataques, sobretudo através de engenharia social e fraude. Nas empresas, a digitalização tem sido acompanhada por medidas de segurança, mas a maioria ainda apresenta níveis de maturidade reduzidos. Na administração pública, apesar de um elevado grau de adoção de soluções de segurança, continuam a ocorrer incidentes com impacto significativo, evidenciando limitações nos mecanismos existentes. O relatório indica também que Portugal se posiciona numa faixa intermédia na União Europeia em termos de vulnerabilidades associadas a endereços IP, não estando entre os países mais nem menos expostos. Outro ponto crítico é a adoção incompleta de normas técnicas e tecnologias de segurança, particularmente no uso da internet e do correio eletrónico, o que compromete a proteção dos utilizadores. A perceção de risco mantém-se elevada, mesmo com o reforço de recursos técnicos e humanos, sendo frequente o recurso a prestadores externos devido à escassez de talento especializado. O documento sublinha ainda lacunas na sensibilização e formação, com poucas iniciativas obrigatórias em empresas e universidades, embora se registe um aumento da oferta formativa no ensino superior. Face a este cenário, o CNCS recomenda o reforço da literacia digital com foco em cibersegurança, a adoção mais alargada de práticas como autenticação multifator, o investimento em recursos especializados, sobretudo na administração pública e PME, e o aumento do alcance das campanhas de sensibilização. O relatório conclui que, apesar da crescente consciencialização, os esforços atuais ainda não são suficientes para mitigar os impactos negativos associados ao uso de serviços digitais, tornando prioritário reforçar a resiliência da sociedade portuguesa. |