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Digital Forensic and Incident Response: a relevância na segurança de redes

A crescente dependência de sistemas digitais transformou as redes corporativas num dos principais alvos dos cibercriminosos.

Por Rafael Rosseto, Network Security Engineer da CSO . 10/10/2025

Digital Forensic and Incident Response: a relevância na segurança de redes

Fugas de dados, ataques de ransomware e intrusões silenciosas deixaram de ser exceções para se tornarem riscos diários. Neste contexto, as práticas de Digital Forensic e Incident Response afirmam-se como peças essenciais, não apenas para a recuperação de incidentes, mas também para a preservação da integridade e da segurança de toda a infraestrutura de rede.

O papel da Forense Digital em ambientes de rede

A Forense Digital vai muito além da simples recolha de evidências após um ataque. Em redes modernas, distribuídas e com elevado volume de tráfego, a análise forense precisa de identificar padrões anómalos e preservar informação crítica sem comprometer a operação. Registos de firewall, autenticações e fluxos de tráfego tornam-se fontes valiosas para rastrear a origem de uma intrusão e reconstruir a cronologia de um ataque.

Outro ponto fundamental é a manutenção da cadeia de custódia dos dados, que garante a validade das evidências em caso de necessidade de utilização em processos legais, evitando qualquer contestação à sua autenticidade.

Resposta a Incidentes: da deteção à contenção

A fase de Incident Response inicia-se logo após a identificação de um comportamento suspeito. Em redes empresariais, o tempo é um fator crítico: quanto mais rápida for a contenção, menores são os impactos. Entre as medidas mais comuns destacam-se:

  • Isolamento dos dispositivos comprometidos, para impedir a movimentação lateral do atacante.
  • Análise de pacotes em tempo real, que permite identificar comandos de controlo remoto ou exfiltração de dados sensíveis.
  • Aplicação de patches emergenciais em serviços vulneráveis.

​Um plano eficaz de resposta a incidentes não se limita à resolução técnica. Deve igualmente contemplar a comunicação interna, a eventual notificação de clientes ou parceiros e o registo detalhado de todas as ações realizadas, permitindo um processo de aprendizagem contínuo.

Integração com a segurança preventiva

Isso não deve ser visto apenas como uma reação a incidentes, mas como parte integrante da política global de segurança de redes. A partir da análise de incidentes passados, as equipas podem ajustar regras de firewall, reforçar sistemas de deteção e prevenção de intrusões (IDS/IPS) e aplicar controlos de acesso mais granulares. Este ciclo de aprendizagem contribui para uma rede mais robusta e resistente a ataques futuros.

Ferramentas de apoio à proteção e resposta

Para implementar uma estratégia eficaz, as organizações recorrem a diferentes tipos de ferramentas especializadas, entre as quais:

  • Sistemas de Gestão de Eventos e Informações de Segurança (SIEM) – Usados para centralizar e correlacionar logs de toda a infraestrutura.
  • IDS/IPS (Intrusion Detection/Prevention Systems) – Ajudam a identificar tráfego suspeito e bloquear ataques em tempo real.
  • Ferramentas de análise forense – Voltadas para a investigação de dispositivos e recolha de evidências digitais.
  • Plataformas de resposta a incidentes (SOAR) – Permitem automatizar fluxos de resposta e reduzir o tempo de contenção.
  • Firewalls de próxima geração (NGFW) – Que combinam filtragem tradicional com funcionalidades avançadas, como inspeção profunda de pacotes (DPI) e controlo de aplicações.
  • Monitorização de rede e tráfego – Indispensáveis para reconstruir a atividade de um ataque.
  • EDR/XDR (Endpoint/Extended Detection & Response) – Que monitorizam endpoints e permitem agir rapidamente sobre máquinas comprometidas.

​Desafios atuais

Dois aspetos sobressaem como desafios constantes:

  1. Criptografia do tráfego – embora garanta privacidade, dificulta a inspeção de pacotes maliciosos.
  2. Ambientes híbridos e na cloud – a recolha e correlação de registos em múltiplas plataformas exige ferramentas mais sofisticadas e equipas com competências multidisciplinares.

​Conclusão

O Digital Forensic e Incident Response deixou de ser uma prática opcional e passou a constituir um pilar estratégico na defesa das redes empresariais. Ao conjugar a investigação forense com uma resposta célere e estruturada, as organizações conseguem reduzir danos, proteger dados sensíveis e reforçar a sua resiliência perante ameaças cada vez mais sofisticadas.

 

Conteúdo co-produzido pela MediaNext e pela CSO

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