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Várias empresas de cibersegurança identificaram tentativas de exploração das duas vulnerabilidades críticas no PHP, algumas antes da publicação das correções. O Centro Nacional de Cibersegurança recomenda a atualização imediata dos sistemas afetados
22/10/2026
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As vulnerabilidades críticas CVE-2026-109618 e CVE-2026-109619, conhecidas como PHP2Shell, já estão a ser alvo de tentativas de exploração em ambientes reais, segundo várias empresas de cibersegurança. Os primeiros ataques foram identificados antes da disponibilização das atualizações de segurança, publicadas a 21 de outubro, depois de informações técnicas sobre as falhas terem sido divulgadas antecipadamente. A Hadrian, a WatchTowr, a Patchstack, a Cloudflare e a Vega estão entre as empresas que reportaram atividade relacionada com a exploração das vulnerabilidades. Embora tenham sido observadas tentativas de ataque em larga escala, os dados divulgados não permitem confirmar uma campanha generalizada de comprometimento de servidores. O Centro Nacional de Cibersegurança (CNCS) publicou também um alerta sobre as duas falhas, classificadas com uma gravidade de 9,2 em 10 na escala CVSS 4.0. A entidade confirma que ambas podem permitir a execução remota de código sem autenticação, colocando em risco servidores e aplicações que utilizem o PHP. Tentativas de exploração começaram antes da publicação dos patchesA divulgação prematura de informações sobre o PHP2Shell acelerou o desenvolvimento de códigos de exploração de prova de conceito (PoC), permitindo que atacantes começassem a testar as vulnerabilidades antes da disponibilização das correções. A Hadrian reportou tentativas de exploração em larga escala algumas horas antes do lançamento das atualizações. Segundo a empresa, grande parte da atividade observada procurava explorar o mecanismo de acompanhamento do progresso de carregamento de ficheiros nas sessões PHP, conhecido como session upload-progress. A Patchstack e a Cloudflare também identificaram tentativas de exploração antes da publicação dos patches, enquanto a Vega detetou ataques que utilizavam um PoC disponibilizado publicamente. A WatchTowr observou atividade semelhante nos seus sensores aproximadamente na altura em que as atualizações foram lançadas. A empresa não identificou tentativas bem-sucedidas nos ambientes monitorizados, mas alertou para a possibilidade de os atacantes aperfeiçoarem rapidamente os métodos utilizados. Os relatos demonstram que as vulnerabilidades passaram a ser exploradas em tentativas de ataque, embora não permitam determinar quantos sistemas poderão ter sido efetivamente comprometidos. CNCS confirma risco de execução remota de código sem autenticaçãoNo alerta publicado, o CNCS explica que as duas vulnerabilidades resultam de problemas de corrupção de memória no núcleo do PHP e podem permitir a execução remota de código sem necessidade de autenticação ou interação do utilizador. A CVE-2026-109618 está relacionada com o tratamento de situações de falta de memória. Segundo o CNCS, estas condições podem interromper o PHP quando os dados internos de um pedido estão apenas parcialmente inicializados, permitindo que sejam posteriormente tratados como válidos durante as operações de limpeza. A CVE-2026-109619 resulta da persistência de estado interno associado a um pedido depois de a memória correspondente ter sido libertada. Esse estado pode voltar a ser utilizado por outro pedido processado pelo mesmo worker, criando condições para a exploração da vulnerabilidade. As falhas podem comprometer a confidencialidade, a integridade e a disponibilidade dos sistemas afetados. Além da execução remota de código, os atacantes poderão conseguir aceder a informações sensíveis presentes na memória dos processos, incluindo credenciais e chaves de API. O CNCS esclarece, contudo, que a exploração apresenta complexidade elevada e depende de condições específicas de memória ou de estado que os atacantes têm de provocar. A fiabilidade dos ataques varia consoante a versão e a compilação do PHP, as extensões instaladas e a configuração do servidor. Apesar destas condicionantes, a ausência de requisitos de autenticação e de interação do utilizador aumenta a gravidade das vulnerabilidades. Todas as instalações que processam pedidos Web podem estar expostasAs vulnerabilidades afetam o próprio interpretador PHP, pelo que o risco não depende de falhas no código das aplicações desenvolvidas com esta linguagem. Segundo o CNCS, todas as instalações que processam pedidos Web devem ser consideradas potencialmente afetadas, incluindo ambientes PHP-FPM, Apache com mod_php, php-cgi, FrankenPHP e LiteSpeed. A equipa de segurança do PHP identificou o Apache com mod_php como o cenário de maior risco, tendo confirmado a execução remota de código nessa configuração com os limites de memória e de entrada de dados predefinidos. O problema abrange também aplicações e plataformas amplamente utilizadas, como WordPress, Drupal e MediaWiki. Mesmo quando o código destas aplicações não apresenta vulnerabilidades, a presença das falhas no interpretador pode permitir o comprometimento do servidor. De acordo com a Wiz, o PHP é utilizado em cerca de 70% dos websites a nível mundial, o que demonstra a dimensão potencial da superfície de ataque. O CNCS alerta ainda para a necessidade de identificar instalações menos evidentes, nomeadamente em equipamentos e aplicações de fornecedores que integrem o interpretador, painéis de controlo como cPanel e Plesk e sistemas de gestão de conteúdos. Atualizações abrangem quatro versões suportadas do PHPAs correções foram disponibilizadas a 21 de outubro, nas versões PHP 8.5.12, 8.4.27, 8.3.36 e 8.2.35. Todas as versões anteriores destas quatro linhas estão afetadas, assim como as instalações que utilizam PHP 8.1 ou versões mais antigas. Para as versões 7.4, 8.0 e 8.1, foram também disponibilizados backports mínimos de código-fonte, destinados a permitir a aplicação das correções em determinados ambientes. No entanto, estas versões já não recebem atualizações regulares de segurança da equipa responsável pelo PHP. O CNCS recomenda que as organizações atualizem imediatamente as instalações para a versão corrigida da respetiva linha e, nos casos em que utilizem versões sem suporte, planeiem a migração para uma versão suportada. A entidade sublinha que a atualização é a única solução considerada segura, uma vez que não existem medidas de mitigação capazes de eliminar completamente o risco de exploração. Quando a atualização imediata não for possível, o CNCS recomenda retirar os sistemas potencialmente vulneráveis da Internet ou restringir o acesso através de VPN ou de uma Web Application Firewall (WAF). Estas medidas podem reduzir a exposição a determinados métodos de ataque, mas não substituem a instalação das correções. O alerta recomenda ainda confirmar a versão efetivamente instalada em cada servidor e assegurar o reinício de todos os processos worker do PHP-FPM ou do servidor Web após a atualização. Investigação com IA permitiu demonstrar falhas antigasA descoberta das vulnerabilidades resultou de investigações conduzidas pela Calif, OpenAI e Wiz, que comunicaram os problemas à equipa responsável pelo PHP durante o mês de agosto. Segundo a Calif, um problema relacionado com situações de esgotamento de memória tinha sido identificado inicialmente em 2020 e novamente durante uma auditoria realizada em 2024. Na altura, não tinha sido demonstrada uma forma de exploração com impacto de segurança, pelo que a falha não foi corrigida. A utilização de modelos avançados de Inteligência Artificial (IA) permitiu aprofundar a investigação e demonstrar que o problema poderia ser explorado para executar código remotamente. A Calif e a OpenAI comunicaram de forma independente a vulnerabilidade a 11 de agosto, tendo a OpenAI e a Wiz identificado posteriormente outros métodos de exploração. A Wiz considera que as falhas estão entre as mais graves identificadas no PHP, devido à sua presença em componentes fundamentais da linguagem e à complexidade dos métodos necessários para demonstrar a exploração. Segundo a empresa, as duas referências CVE agrupam quatro problemas de segurança de memória, mas poderão existir variantes adicionais que ainda não foram totalmente identificadas. A PHP Foundation refere que a utilização de IA na investigação de segurança tem contribuído para identificar mais vulnerabilidades, tendo sido publicadas 15 novas referências CVE desde 1 de julho. Divulgação antecipada acelerou desenvolvimento de exploitsA divulgação coordenada do PHP2Shell estava inicialmente prevista para 22 de outubro, mas informações sobre as vulnerabilidades começaram a circular publicamente no dia 20. A PHP Foundation decidiu antecipar a publicação das atualizações para 21 de outubro e emitiu um aviso de segurança, recomendando aos administradores que preparassem a instalação urgente das correções. Segundo a entidade, um vídeo que demonstrava o funcionamento de um PoC foi publicado por engano antes da data acordada. A divulgação revelou informações adicionais sobre as vulnerabilidades e contribuiu para acelerar o desenvolvimento de novos métodos de exploração. A Fundação refere também que informações sobre medidas de mitigação partilhadas antecipadamente com organizações de infraestruturas críticas poderão ter sido divulgadas antes do previsto. Outro incidente envolveu a Chainguard, que disponibilizou imagens de software com as correções cerca de seis horas antes da divulgação coordenada. Esta publicação antecipada permitiu que potenciais atacantes analisassem as alterações introduzidas no código enquanto a maioria dos utilizadores ainda aguardava pelas atualizações oficiais. A Cloudflare implementou proteções na sua WAF nove horas antes da divulgação pública, procurando bloquear os métodos de exploração conhecidos. CNCS recomenda monitorização de sinais de comprometimentoAlém da atualização dos sistemas, o CNCS recomenda que as organizações procurem sinais de exploração das vulnerabilidades, tendo em conta que as primeiras tentativas de ataque foram identificadas antes da publicação dos patches. Entre os indicadores a monitorizar estão processos anómalos iniciados a partir de serviços como php-fpm, php-cgi, httpd ou apache2, incluindo a execução inesperada de shells, interpretadores ou ferramentas de descarregamento de ficheiros. Nos casos em que existam indícios de comprometimento, o CNCS aconselha o isolamento do servidor e a preservação dos registos de atividade do servidor Web e do PHP, para permitir uma análise posterior. A investigação deverá incluir a procura de webshells, ficheiros recentemente criados na diretoria Web, tarefas agendadas suspeitas e contas adicionadas sem autorização. O alerta recomenda igualmente que as organizações verifiquem junto dos fornecedores dos sistemas operativos e dos serviços de alojamento a disponibilidade de pacotes com as correções aplicadas. Para os ambientes que dependem do repositório rpms.remirepo.net, o CNCS indica que deverá ser considerada a utilização dos pacotes disponibilizados pela distribuição ou a compilação a partir do código-fonte, uma vez que o repositório não disponibilizou a atualização. Com as correções já publicadas e as tentativas de exploração confirmadas, a prioridade passa pela identificação de todas as instalações vulneráveis, pela aplicação das atualizações e pela verificação de eventuais comprometimentos anteriores à correção. |