Analysis
A proteção de dados deixou de ser apenas uma questão de cópias de segurança em Lousada. Com a ameaça do ransomware e a pressão regulatória da NIS2 no horizonte, o município passou a privilegiar a recuperação quase imediata dos sistemas críticos como peça central da sua resiliência digital
Por Inês Garcia Martins . 14/08/2026
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Em Lousada, o backup tradicional deixou de ser suficiente para responder ao nível de continuidade que uma autarquia tem atualmente de garantir. O município contava com uma arquitetura Veeam eficaz para conformidade e retenção histórica, mas a recuperação continuava condicionada pela periodicidade das janelas de backup e por um RPO que podia chegar às 24 horas. Foi esse risco operacional que levou a Câmara Municipal de Lousada a avançar com a Divultec para a implementação do HPE Zerto, concluída em menos de uma semana. A nova arquitetura substituiu a lógica de recuperação por ciclos pela replicação contínua, reduzindo a perda potencial de dados para poucos segundos e deixando o RTO limitado ao tempo de arranque das máquinas virtuais. A mudança responde diretamente à ameaça do ransomware e às exigências da NIS2 sobre continuidade de serviço no setor público. Para Carlos Barbosa, IT Specialist do Município de Lousada, o projeto traduz uma mudança de paradigma, na medida em que “o investimento em ciber-resiliência não é um custo da área informática, mas um seguro contra o risco reputacional e operacional”. Uma arquitetura pensada para reagir em segundosPedro Morais, Category Manager da HPE, explica que a diferença do HPE Zerto face às soluções tradicionais de backup está na forma como cria pontos de recuperação. Em vez de depender de janelas periódicas, gera-os de forma contínua, “tipicamente cada ponto de recuperação é feito a cada cinco a dez segundos”, permitindo recuperar os dados a partir do momento imediatamente anterior ao incidente. A solução agrupa máquinas virtuais em Virtual Protection Groups, garantindo uma recuperação orquestrada. Morais destaca ainda a deteção de encriptação online como uma camada que reduz a resposta ao ransomware a minutos, um argumento relevante perante as exigências de continuidade da NIS2. Uma transição sem disrupçãoA escolha e implementação da solução coube à Divultec, que optou pelo Zerto pela replicação contínua com RPO muito baixo, pela integração na infraestrutura existente e pela compatibilidade com a tecnologia HPE do município. A empresa explica que “a facilidade de integração no ambiente existente, sem necessidade de alterações estruturais relevantes, e a sua independência face ao hardware permitiram uma adoção rápida e sem disrupção”. A solução ficou operacional em menos de uma semana. O projeto incluiu a criação de dois Virtual Protection Groups e uma migração faseada, máquina a máquina. O Veeam manteve a retenção histórica de dados e o Zerto passou a assegurar replicação contínua quase síncrona. Como sublinha a Divultec, “as duas soluções não se substituíam, mas complementavam-se”. O município já realizou testes de validação durante a instalação e mantém simulacros regulares. Segundo Carlos Barbosa, a principal conclusão técnica é a possibilidade de executar testes de comutação em ambientes de rede isolados, sem disrupção nos sistemas em produção, com os Virtual Protection Groups a repor o ecossistema aplicacional com consistência temporal e de dados, o que limita o RTO ao tempo de arranque das máquinas virtuais. Uma parceria que vai além da revenda de softwarePara Carlos Barbosa, o valor do projeto vai além da tecnologia. A parceria com a Divultec distinguiu- -se por a empresa ter atuado como uma extensão da equipa interna do município, sobretudo no desenho da arquitetura e na calibração dos recursos entre os dois data centers. “É este alinhamento de competências, e não a mera revenda de software, que valida o sucesso do projeto”, resume. A Divultec acredita que o projeto “abre oportunidades naturais para replicar este modelo noutras autarquias e organismos públicos que enfrentam desafios semelhantes”, demonstrando que é possível reforçar a continuidade de negócio sem comprometer a operação. Na sua visão, o setor público português medirá cada vez mais a sua maturidade pela capacidade de recuperação e continuidade de negócio, porque a prevenção, por si só, já não chega. “Quando os mecanismos de prevenção falham, o que dita a integridade do serviço público é a velocidade de reposição operacional”, conclui Carlos Barbosa. |