Analysis

Identidades digitais tornam-se principal alvo dos ciberataques

A Sophos alerta que a maioria das empresas sofreu ataques relacionados com identidades no último ano, impulsionados por erro humano e falhas na gestão de IA

14/05/2026

Identidades digitais tornam-se principal alvo dos ciberataques

A Sophos revelou que 71% das empresas sofreram pelo menos um ataque relacionado com identidades no último ano, numa altura em que a crescente utilização de Inteligência Artificial (IA) com agência está a aumentar a superfície de ataque nas organizações.

Os dados constam do relatório State of Identity Security 2026, baseado num inquérito realizado a cinco mil líderes de IT e cibersegurança em 17 países.

Segundo o estudo, as organizações afetadas registaram, em média, três incidentes distintos relacionados com identidade digital, sendo que 5% reportaram seis ou mais ataques.

A Sophos identifica o erro humano e a fraca gestão de identidades não humanas (NHI) como os principais fatores por detrás destes incidentes. “A identidade tornou-se a principal superfície de ataque na cibersegurança moderna”, afirma Ross McKerchar, CISO da Sophos.

Entre os impactos mais frequentes estão roubo de dados, ransomware e fraude financeira. O estudo conclui ainda que 67% das vítimas de ransomware tiveram origem em ataques relacionados com identidade, reforçando o papel destas falhas como vetor crítico de propagação.

Os custos associados continuam elevados. O valor médio de recuperação atingiu cerca de 1,4 milhões de euros, enquanto 73% das organizações afetadas reportaram prejuízos superiores a 213 mil euros.

A gestão de identidades não humanas surge como um dos maiores desafios atuais, sobretudo com a proliferação de agentes de IA capazes de criar autonomamente novas credenciais e acessos persistentes.

Segundo a Sophos, apenas uma em cada três empresas realiza auditorias regulares a contas de serviço e identidades não humanas, enquanto apenas 11% faz esse controlo de forma contínua.

O relatório mostra ainda que organizações com fraca gestão de NHI apresentam uma probabilidade 22% superior de sofrer roubo financeiro. Além disso, apenas 24% das empresas monitorizam continuamente tentativas de login suspeitas, revelando fragilidades persistentes na deteção de ameaças.

Perante este cenário, a Sophos recomenda reforçar mecanismos de autenticação multifator, aplicar políticas de menor privilégio, adotar modelos Zero Trust e implementar soluções de deteção e resposta a ameaças de identidade (ITDR).

Os agentes de IA estão a receber privilégios mais depressa do que as equipas de segurança os conseguem acompanhar”, alerta Ross McKerchar.


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