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Ciberataques em Portugal crescem 29% e superam média europeia e mundial

As organizações portuguesas sofreram, em média, 2.639 ciberataques por semana em junho, um valor 29% superior ao registado no mesmo mês de 2025

14/07/2026

Ciberataques em Portugal crescem 29% e superam média europeia e mundial
IDOL'foto /AdobeStock

As organizações portuguesas registaram, em junho, uma média de 2.639 ciberataques por semana, um aumento de 29% face ao mesmo mês de 2025. Os dados da Check Point Research mostram que Portugal continua acima das médias mundial e europeia, refletindo uma intensificação da atividade cibercriminosa num contexto em que os ataques voltaram a acelerar a nível global.

Segundo o relatório, o volume de ataques em Portugal ficou 16% acima da média mundial, fixada nos 2.270 ataques semanais por organização, e 32% acima da média europeia, de 2.003 ataques. A subida homóloga registada no país supera igualmente o crescimento global, de 17%, e o aumento observado na Europa, de 22%. Entre os mercados europeus analisados, apenas a República Checa apresentou um número superior de ataques, enquanto Itália, Suécia e Espanha registaram valores inferiores aos portugueses.

O crescimento de 29% em Portugal não deve ser lido apenas como mais um número mensal. Mostra que as organizações nacionais estão inseridas num cenário de pressão contínua, no qual os atacantes alargam o número de alvos, automatizam operações e exploram rapidamente qualquer fragilidade”, afirma Rui Duro, Country Manager da Check Point Software em Portugal.

Depois de um ligeiro abrandamento em maio, a atividade maliciosa voltou a acelerar em junho. Globalmente, cada organização sofreu, em média, 2.270 ataques semanais, mais 10% do que no mês anterior e mais 17% do que em junho de 2025.

O setor da Educação voltou a ser o principal alvo dos atacantes, com uma média de 4.816 ataques semanais por organização, seguido pela Administração Pública e pelas Telecomunicações. A Check Point considera que estes setores continuam particularmente expostos devido à natureza das suas operações e ao elevado número de utilizadores e sistemas ligados às suas infraestruturas.

O relatório alerta também para o aumento dos riscos associados à utilização de ferramentas de Inteligência Artificial (IA) generativa nas empresas. Durante junho, um em cada 26 prompts submetidos em ambiente empresarial apresentou elevado risco de exposição de informação sensível. Ao mesmo tempo, 27% dos prompts continham dados potencialmente sensíveis e 85% das organizações que utilizam regularmente estas ferramentas registaram pelo menos um caso de elevado risco. Em média, cada organização utilizou sete ferramentas diferentes de IA generativa e cada utilizador produziu 78 prompts ao longo do mês.

A atividade de ransomware também voltou a intensificar-se. Em junho foram divulgadas 646 vítimas de grupos de dupla extorsão, um crescimento de 33% face ao período homólogo. Os Serviços Empresariais concentraram 31% dos casos, seguidos pelos setores dos Bens e Serviços de Consumo e da Indústria Transformadora. A América do Norte manteve-se como a região com maior número de vítimas divulgadas, embora a Ásia-Pacífico tenha ultrapassado a Europa e passado a ocupar a segunda posição.

O panorama do ransomware sofreu ainda alterações ao nível dos grupos mais ativos. O The Gentlemen assumiu a liderança, sendo responsável por 17% dos ataques divulgados em junho, ultrapassando o Qilin, com 11%. O LockBit também voltou a ganhar expressão, passando de 1% dos ataques publicados em maio para 7% em junho.

Segundo a Check Point, esta evolução demonstra como novas operações conseguem ganhar rapidamente relevância no ecossistema do ransomware-as-a-service, beneficiando de infraestruturas comprometidas e de modelos de afiliação cada vez mais sofisticados.


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