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No último workshop da IT Security Summit Porto, Jorge Monteiro, da Ethiack, traçou um retrato do atual panorama digital e alertou para o desfasamento crescente entre a rapidez dos atacantes e a capacidade de resposta das equipas de segurança
11/05/2026
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No encerramento da sala de workshops da IT Security Summit Porto, Jorge Monteiro, Co-founder & CEO da Ethiack, alertou para a crescente velocidade e sofisticação dos ataques digitais, defendendo que as equipas de segurança já não conseguem acompanhar o ritmo imposto pelos atacantes e pela Inteligência Artificial (IA). Um risco elevado “ao quadrado”Na sessão “You Are Too Slow: Why Security Teams Can't Keep Up with Attackers (and How to Fix It)”, o responsável começou por comparar o ciberespaço a um “mundo físico”, explicando que o risco de uma organização é calculado através de três fatores: ativos, vulnerabilidades e ameaças. Contudo, na era da IA, “todos estes fatores são elevados ao quadrado”. O orador destacou que as superfícies de ataque continuam a crescer de forma acelerada, tornando-se simultaneamente mais complexas e mais dinâmicas. Esta realidade é agravada pela dependência de fornecedores, que contribuem para 15% dos ataques registados nas organizações. A “vulnerability storm”O orador classificou o atual cenário como uma “vulnerability storm”. Para Jorge Monteiro, o problema deixou de estar na descoberta de falhas. “O nosso problema é que não sabemos o que é que isso aporta para a nossa infraestrutura”, acrescentou. As vulnerabilidades têm vindo a crescer e, segundo os dados apresentados pelo responsável, as vulnerabilidades zero-day representam 72% dos CVE conhecidos em 2026. Esta evolução levou a exploração de vulnerabilidades a ultrapassar ataques de phishing e abuso de credenciais como principal método utilizado por grupos cibercriminosos. Ataques mais rápidos“Os atacantes são cada vez mais rápidos”, alertou Jorge Monteiro. A adoção massiva de ferramentas cloud e soluções de IA amentou as janelas de exposição das empresas, ao ponto de o responsável considerar que “as janelas de exposição colapsaram completamente”. Com base em dados da plataforma zerodayclock, o orador revelou que o tempo médio entre a descoberta de uma vulnerabilidade e a sua exploração já se situa nas 20 horas, uma tendência que tem vindo a diminuir de forma consistente nos últimos sete anos. Neste contexto, Jorge Monteiro identificou três grandes falhas que marcam a cibersegurança atual: visibilidade, validação e velocidade. O impacto da IA nos ataquesO responsável defendeu que 2026 marcará uma mudança significativa no paradigma da cibersegurança, impulsionada pelo aparecimento de agentes de IA especializados em exploração de vulnerabilidades. Entre os exemplos apresentados esteve o Mythos, um agente de IA capaz de encontrar vulnerabilidades zero-day e criar mecanismos de exploração em segundos, bem como o MOAK.ai, uma plataforma capaz de desenvolver explorações para CVE selecionados pelos atacantes. Perante esta realidade, Jorge Monteiro foi direto. “Todo o modelo de segurança que conhecemos até hoje colapsou”, alertou. Para o especialista, existem apenas duas opções: continuar a abordar a segurança da mesma forma ou reconhecer que o cenário mudou e adaptar estratégias, processos e ferramentas. Preparação contínuaA validação automatizada de vulnerabilidades foi apontada como um elemento crítico para esta nova fase da segurança digital. O responsável destacou ainda a importância de acelerar processos através de agentes de IA, reforçar a segurança dos elementos básicos, adaptar modelos de risco e preparar as equipas de cibersegurança para níveis crescentes de pressão. Entre as recomendações deixadas esteve a implementação de programas de Continuous Threat Exposure Management (CTEM). Jorge Monteiro alertou os participantes para “construir um programa de CTEM o mais rapidamente possível”, permitindo identificar e prioritizar as vulnerabilidades exploráveis e reduzir o tempo de resposta. Segundo o responsável, a abordagem da Ethiack assenta nesta lógica de identificação e validação contínua de risco, através do Ethiack Portal, uma solução construída sobre “uma filosofia de ver, testar e atuar”. |