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Evento organizado pelo Centro Nacional de Cibersegurança destacou a crescente perceção de risco e o papel das comunidades na partilha de ameaças e indicadores de comprometimento
14/12/2025
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O primeiro encontro anual das Comunidades de Cibersegurança decorreu a 10 de dezembro nas instalações da Galp, em Lisboa, reunindo mais de cem membros de diversos setores, entre os quais Águas, Media, Portos, Energia, Retalho e Distribuição, Saúde e Infraestruturas Digitais, além de representantes do ISAC regional dos Açores e da Aliança para a Cibersegurança. Esta iniciativa foi promovida pelo Centro Nacional de Cibersegurança (CNCS) com o objetivo de reforçar a colaboração intersetorial no domínio da cibersegurança, fomentar sinergias e promover a discussão aberta de temas transversais, consolidando uma atuação coordenada entre as comunidades setoriais e regionais. Dados apresentados no encontro basearam-se no Relatório Riscos & Conflitos de 2025, destacando que 92% dos inquiridos em 2024 indicaram um aumento do risco de incidentes de cibersegurança nas entidades do ciberespaço de interesse nacional e que 90% perspetivam um crescimento desse risco em 2025. Uma das recomendações gerais do relatório é a promoção da criação de comunidades sectoriais e regionais para a troca de indicadores de comprometimento e de ameaça. O coordenador do CNCS, Lino Santos, sublinhou a importância deste evento afirmando que "é uma forte aposta nossa nestas comunidades, e talvez o nosso maior ativo", e acrescentou que "nenhum outro país tem uma organização e um número tão elevado de comunidades a trabalhar em cibersegurança e a trabalhar em políticas públicas como nós". Destacou ainda a necessidade de continuidade no trabalho conjunto entre o CNCS e as comunidades. Representantes das entidades anfitriãs e participantes manifestaram-se igualmente sobre a relevância do encontro. Luís Morais, da Galp, e membro fundador do ISAC EnergyPT e da Aliança para a Cibersegurança, considerou que "foi um orgulho juntarmo-nos desde cedo ao CNCS para acolher este evento das comunidades de cibersegurança" e declarou que para a Galp "é algo em que colocamos muito esforço, como parte da nossa estratégia para aumentar a nossa ciber-resiliência". O CISO da Galp enfatizou que "precisamos de trabalhar em rede com os nossos parceiros setoriais ou nacionais" para enfrentar as ciberameaças, que são "globais e transversais". Sofia Caruso, da MEO e membro do ISAC Infraestruturas Digitais, qualificou o encontro como "muito importante", destacando que teve "oportunidade de conhecer o que faz cada ISAC e a partilha e conhecimento de todos estes setores e todas estas entidades é extremamente importante para a mudança na cibersegurança em Portugal". João Stott, do Santander e membro da Aliança para a Cibersegurança, realçou a palavra "partilha" ao afirmar que "com partilha vem confiança, vem credibilidade, vem fiabilidade e acima de tudo maturidade", esperando que encontros futuros sejam realizados. A agenda do encontro incluiu apresentações, exercícios colaborativos e mesas de discussão com várias perspetivas, tendo por base a participação ativa dos membros das Comunidades de Cibersegurança. Os ISAC e a Aliança para a Cibersegurança são comunidades dinamizadas pelo CNCS com o propósito de desenvolver laços de confiança entre responsáveis e operadores de cibersegurança de diferentes entidades nacionais. Estes canais de comunicação e cooperação entre pares visam acelerar a resolução de problemas e promover a partilha de conhecimento. |