News

Google desmantela vasta rede de proxies residenciais

A Google anunciou a desativação da IPIDEA, uma das maiores redes globais de proxies residenciais, que explorava aplicações móveis e de desktop para integrar dispositivos de utilizadores sem o seu conhecimento

30/01/2026

Google desmantela vasta rede de proxies residenciais

A Google revelou esta semana ter interrompido as operações da IPIDEA, considerada uma das maiores redes de proxies residenciais a nível mundial, após uma ação concertada que envolveu medidas legais e partilha de inteligência com vários parceiros do setor.

De acordo com a empresa, os operadores da IPIDEA recorriam a kits de desenvolvimento de software (SDK) e aplicações de proxy que eram integrados por programadores em aplicações móveis e de desktop. Uma vez instaladas, estas aplicações transformavam os dispositivos dos utilizadores em nós de saída da rede de proxies, frequentemente sem qualquer informação clara ou consentimento explícito.

A operação de desmantelamento incluiu ações legais contra domínios usados para controlo e gestão da rede, bem como a identificação e neutralização dos SDK e do software associados. Segundo a Google, estas medidas reduziram “em milhões” o número de dispositivos disponíveis para os operadores, causando uma degradação significativa da rede e do modelo de negócio da IPIDEA.

A empresa alerta ainda que, devido a acordos de revenda entre diferentes operadores de proxies, a interrupção da IPIDEA poderá ter efeitos indiretos noutras entidades associadas. A investigação aponta para o controlo, por parte dos mesmos atores, de mais de uma dezena de marcas independentes de proxies e VPN, bem como de vários domínios relacionados com SDK utilizados para proxies residenciais.

Entre os SDK identificados encontram-se o Castar SDK, Earn SDK, Hex SDK e Packet SDK, compatíveis com Android, iOS, Windows e WebOS. Estes componentes eram promovidos como ferramentas de monetização para developers, que eram pagos, regra geral, por instalação. Na prática, após a instalação das aplicações, os dispositivos dos utilizadores passavam a integrar a infraestrutura de proxy.

A Google sublinha que, apesar de muitos fornecedores de proxies residenciais alegarem obter endereços IP de forma ética, a sua análise demonstrou que essas afirmações são frequentemente incorretas ou exageradas. Em muitos dos casos analisados, as aplicações não divulgavam que os dispositivos seriam usados como parte da rede IPIDEA.

A infraestrutura da rede assentava num modelo de dois níveis: os dispositivos ligavam-se inicialmente a domínios de primeiro nível para receber instruções sobre servidores de segundo nível. Embora os domínios iniciais variassem consoante o SDK, todos recorriam a um conjunto partilhado de cerca de 7.400 servidores de segundo nível, cujo número variava diariamente consoante a procura.

Foram igualmente identificadas aplicações VPN que, apesar de fornecerem funcionalidades legítimas, integravam os dispositivos na rede de proxies, incluindo aplicações como Galleon VPN, Radish VPN e Aman VPN. A investigação identificou mais de três mil ficheiros executáveis únicos em Windows e mais de 600 aplicações Android a comunicar com os domínios associados à operação.

Além das ações legais, a Google atualizou as políticas do Google Play Protect para remover os SDK da IPIDEA de dispositivos Android certificados. A empresa trabalhou em colaboração com organizações como a Spur, a Black Lotus Labs da Lumen e a Cloudflare, que contribuiu para bloquear a resolução de domínios usados para controlo e comercialização da rede, limitando a capacidade dos operadores de gerir dispositivos comprometidos.


NOTÍCIAS RELACIONADAS

RECOMENDADO PELOS LEITORES

REVISTA DIGITAL

IT SECURITY Nº28 FEVEREIRO 2026

IT SECURITY Nº28 FEVEREIRO 2026

NEWSLETTER

Receba todas as novidades na sua caixa de correio!

O nosso website usa cookies para garantir uma melhor experiência de utilização.