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Perante ataques cada vez mais frequentes e regras de conformidade mais exigentes, as empresas estão a recorrer a seguros digitais como resposta estratégica. As estimativas apontam para uma duplicação do mercado até ao final da década
13/08/2025
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O mercado global de seguros contra riscos digitais deve apresentar um crescimento de 16,54 mil milhões de dólares em 2025 para 32,19 mil milhões de dólares até 2030, a uma taxa de crescimento anual composta (CAGR) de 14,2%, segundo a MarketsandMarkets. De acordo com a empresa de estudos de mercado, esta forte procura resulta do aumento da frequência e da gravidade dos ataques, nomeadamente incidentes com ransomware e fugas de dados, que têm levado as organizações a procurar mecanismos de mitigação de perdas com impacto financeiro. A crescente pressão regulatória, com destaque para o Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados (RGPD), a Diretiva NIS2 e outras estruturas legais em evolução, está a levar muitas empresas a integrar seguros de segurança digital nas suas estratégias de conformidade. A rápida adoção de ambientes de trabalho híbridos, soluções em cloud e dispositivos ligados multiplica os pontos de entrada para ameaças, e tornam este tipo de proteção cada vez mais essencial. As PME, que se tornaram alvos mais frequentes, estão entre os principais motores desta procura. Como resposta, o setor dos seguros tem vindo a desenvolver soluções ajustadas, com custos mais acessíveis, e que combinam diferentes tipos de cobertura num único pacote. Estas propostas incluem inteligência sobre ameaças, avaliações contínuas de segurança e apoio à resposta em caso de incidente. Entre os diversos modelos, os seguros integrados – que combinam proteção digital com apólices tradicionais – podem vir a registar a taxa de crescimento mais elevada. Esta abordagem permite que empresas associem a cobertura contra riscos digitais a seguros já existentes, como responsabilidade civil, danos patrimoniais ou responsabilidade de gestores e administradores. Estes pacotes podem incluir cláusulas específicas para eventos de origem digital, bem como indemnizações por danos materiais associados. Entre as seguradoras mais relevantes neste segmento encontram-se a Chubb, CNA, AXIS Capital, Travelers Insurance e Liberty Mutual. Estas entidades têm vindo a reforçar as suas ofertas com o apoio de fornecedores tecnológicos especializados, como BitSight, RedSeal, SecurityScorecard, UpGuard, AttackIQ e Ivanti, que permitem monitorizar a exposição ao risco, avaliar vulnerabilidades e acompanhar o cumprimento de requisitos legais. O setor dos seguros é também utilizador direto destas soluções. Com forte dependência de sistemas digitais, dados sensíveis e operações online, as seguradoras recorrem a este tipo de apólices para se protegerem contra perdas associadas a incidentes, interrupções de negócio e exigências legais. Os contratos incluem frequentemente serviços de resposta a incidentes, aconselhamento jurídico e apoio na gestão da reputação. No plano geográfico, a região Ásia-Pacífico deve registar o crescimento mais acentuado, acompanhando o aumento das ameaças e a transformação digital em curso nas principais economias emergentes. A combinação entre modernização tecnológica e imposição de sanções mais duras por incumprimento regulatório está a acelerar a adoção de seguros de segurança digital nesta região. Empresas como a AIG, Allianz, Zurich e Chubb estão a reforçar a sua presença na Ásia-Pacífico, onde se antecipa uma forte procura por soluções que aliem cobertura financeira e capacidade de gestão de risco. A Zurich Insurance estima que o mercado regional continue a expandir-se a um ritmo sólido. Entre os fornecedores especializados em suporte tecnológico à atividade seguradora destacam-se nomes como Mitratech, Beazley, AXA XL e BitSight. Tudo indica que os seguros contra riscos digitais vão passar a assumir um papel cada vez mais central na estratégia das empresas, num contexto marcado pela digitalização acelerada e por uma regulação cada vez mais exigente. |