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As tensões geopolíticas estão a aumentar a vulnerabilidade interna das organizações europeias, com 84% das entidades de alto risco a admitirem que não estão preparadas para lidar com incidentes causados por colaboradores ou parceiros
28/01/2026
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As atuais tensões geopolíticas estão a exercer uma pressão crescente sobre a segurança interna das organizações europeias, revelando fragilidades significativas na forma como estas lidam com riscos que surgem a partir do interior. A conclusão é do Insider Risk Trend Report 2026, divulgado pela consultora especializada em risco interno Signpost Six. O estudo revela que 84% das organizações europeias de alto risco não estão preparadas para lidar com incidentes de insider risk, que incluem espionagem, sabotagem e influência estratégica por entidades com acesso legítimo a sistemas e dados sensíveis. De acordo com o relatório, o risco interno deixou de ser um fenómeno pontual para se tornar uma vulnerabilidade estrutural. Num contexto em que os conflitos geopolíticos são cada vez mais travados através de canais económicos, tecnológicos e sociais, o fator humano surge como um dos alvos preferenciais de atores estatais, redes criminosas e movimentos ativistas. “Os atores estatais e as redes de criminalidade organizada estão a focar-se cada vez mais nos colaboradores das organizações. O acesso direto a pessoas, locais e informação sensível torna-os alvos particularmente eficazes”, afirma Dennis Bijker, CEO da Signpost Six. Segundo o responsável, atuar através de insiders é frequentemente mais eficiente e menos visível do que recorrer a ciberataques tradicionais ou a sabotagem física. Entre os principais fatores que contribuem para o aumento do risco interno, o relatório destaca a intensificação da guerra híbrida, em que os Estados projetam rivalidades fora do domínio militar clássico. Empresas de setores críticos, como infraestruturas, tecnologia ou logística, tornaram-se, assim, alvos frequentes de espionagem e ações de destabilização. Paralelamente, o recurso a redes criminosas como intermediários permite aos Estados reduzir a sua exposição direta e dificultar a atribuição de responsabilidades. O estudo alerta ainda para o impacto da globalização das cadeias de abastecimento, que aumentou a dependência de terceiros sujeitos a diferentes enquadramentos legais e políticos. O acesso a sistemas críticos por entidades externas pode, neste contexto, transformar tensões internacionais em riscos operacionais concretos para as organizações. Perante este cenário, a Signpost Six defende que medidas técnicas e de segurança física já não são suficientes. A resiliência organizacional exige uma abordagem integrada, com responsabilidade clara ao nível da gestão de topo e uma cooperação estreita entre recursos humanos, segurança, gestão de risco e departamentos jurídicos. Ignorar estas dinâmicas, conclui o relatório, expõe os colaboradores ao risco de serem involuntariamente instrumentalizados em conflitos que já não se desenrolam apenas fora das organizações, mas também no seu interior. |