S.Labs
As empresas estão a investir cada vez mais em ferramentas de cibersegurança. Firewall, Antivírus, EDR, SIEM, plataformas de monitorização, entre outras soluções.
Por Ricardo Rodrigues, CEO, Balwurk . 31/03/2026
|
Todas elas são peças essenciais para qualquer ecossistema de segurança digital, mas é importante mantermos sempre presente que a tecnologia, por si só, não garante segurança. As ferramentas são absolutamente fundamentais, desde que totalmente ajustadas à realidade e necessidades de cada organização, mas o fator diferenciador está na forma como são configuradas, e integradas nas operações diárias. Sem pessoas competentes, processos bem definidos e validação contínua, até as soluções mais avançadas acabam por falhar. A ilusão da proteção automática São muitas as empresas que continuam a adequirir tecnologia e que acreditam que estão seguras apenas porque têm ferramentas implementadas. Mas segurança não é um produto, é um processo. Um sistema pode ser monitorizado 24/7 e, ainda assim, permitir uma intrusão se não houver análise contextual ou correção rápida de vulnerabilidades. Um SIEM que não é revisto regularmente gera alertas que ninguém lê, um EDR que não é ajustado à realidade da empresa pode deixar portas abertas, e uma política de backup sem testes de recuperação pode falhar exatamente quando mais for necessária. E neste caso o erro não está na tecnologia, mas sim na forma como está a ser usada e gerida. Equipas e processos: o núcleo da segurança A cibersegurança eficaz resulta da união entre tecnologia, metodologia/processos e pessoas. Ferramentas sem equipas são como alarmes sem vigilantes, elas sinalizam os problemas, mas não os resolvem necessariamente. Uma estratégia sólida exige:
A ENISA reforça esta visão: “A segurança deve ser abordada como um ciclo contínuo de melhoria, e não como um evento pontual.” A importância da validação independente Ter as ferramentas certas é crucial, mas saber se elas estão realmente a cumprir o seu papel é ainda mais importante. É aqui que entram os Testes de Intrusão recorrentes e as Auditorias de Segurança. Esses exercícios permitem avaliar, se as soluções implementadas estão a detetar, bloquear e reagir de acordo com as expectativas. Para compreender como esta abordagem se traduz em retorno de investimento, consulte também o artigo Pentesting: como calcular o ROI da cibersegurança. As empresas que mais evoluem em cibersegurança são as que tratam a segurança como parte da cultura organizacional, não como um projeto de IT. A Comissão Europeia tem vindo a reforçar esta ideia: segurança digital constrói-se com formação, planeamento e responsabilidade partilhada. Prova disto é a existência do Cyber Resilience Act (CRA) que se encontra em vigor desde dezembro de 2024 e cuja sua aplicabilidade será exigida integralmente a partir de dezembro de 2027. O seu principal objetivo é a garantir que todos os produtos comercializados na EU que contenham elementos digitais (Hardware e/ou Software), respeitem o conjunto de requisitos de segurança, tais como avaliação continua de vulnerabilidade, Gestão de Vulnerabilidades e Gestão do Risco. Podem, também, consultar o nosso artigo: https://balwurk.com/the-impact-of-the-new-cyber-resilience-act-proposal/
Conteúdo co-produzido pela MediaNext e pela Balwurk |