Threats

Documentos manipulados conseguem alterar decisões de modelos de IA

Um teste da Check Point ao modelo Jev mostrou que conteúdos externos podem manipular decisões estruturadas de Inteligência Artificial. O atacante mais eficaz alterou 25 de 27 resultados

30/09/2026

Documentos manipulados conseguem alterar decisões de modelos de IA
yelosole / AdobeStock

Investigadores da Check Point demonstraram que documentos manipulados podem influenciar sistemas de Inteligência Artificial (IA) concebidos para produzir decisões estruturadas e diretamente integráveis em aplicações empresariais.

A investigação incidiu sobre o Jev, um modelo desenvolvido pela TypeSafe AI, e procurou perceber se a utilização de respostas com uma estrutura previamente definida seria suficiente para limitar ataques de Prompt Injection.

Para realizar o teste, os investigadores criaram um assistente de análise de investimentos que recebia um relatório sobre uma empresa fictícia e tinha de decidir se recomendava ou não um investimento. O documento original continha indicadores de risco elevado que os modelos testados identificaram corretamente.

Num segundo momento, foi permitido a um atacante modificar uma secção do documento. O objetivo era levar o sistema a considerar a empresa como sendo de baixo risco e, consequentemente, recomendar o investimento.

A Check Point testou nove combinações entre diferentes atacantes e níveis de dificuldade. Todas conseguiram produzir pelo menos uma decisão totalmente manipulada. No cenário mais eficaz, o atacante conseguiu alterar 25 das 27 decisões, normalmente à quarta tentativa. Contabilizando também as tentativas que falharam, o custo médio de utilização da API do atacante ficou em cerca de 0,50 dólares por decisão alterada.

Os ataques bem-sucedidos não se limitaram a incluir uma instrução explícita para o modelo ignorar as indicações anteriores. Os investigadores introduziram no relatório informação concebida para parecer evidência legítima de que os problemas inicialmente identificados tinham sido resolvidos.

O modelo continuava, assim, a produzir uma resposta dentro da estrutura esperada, mas a decisão passava a basear-se em informação controlada pelo atacante.

A investigação testou também medidas destinadas a distinguir as instruções do sistema dos conteúdos provenientes de fontes externas. Apresentar o documento numa mensagem separada e identificá-lo explicitamente como informação não fiável não foi suficiente para impedir todas as manipulações.

O resultado evidencia um problema para sistemas em que as respostas dos modelos são utilizadas diretamente para desencadear ações: a conformidade da resposta com um formato ou esquema previamente estabelecido não significa que a informação utilizada para chegar à decisão seja legítima.

“Quando uma decisão de IA é integrada diretamente num processo de negócio, uma resposta com o formato correto pode criar uma falsa sensação de segurança”, afirma Rui Duro, Country Manager da Check Point Software para Portugal, em comunicado. O responsável defende a verificação da informação fornecida aos modelos e supervisão humana nas decisões críticas.

A Check Point recomenda que as organizações testem a aplicação completa em condições próximas das existentes em produção, avaliem a fiabilidade dos documentos utilizados pelos modelos e mantenham mecanismos adicionais de controlo quando as decisões tenham consequências relevantes.

A própria investigação tem um âmbito limitado. Os testes incidiram sobre uma aplicação e um objetivo de manipulação específicos e, segundo a Check Point, os resultados não devem ser interpretados como uma avaliação geral da Segurança ou do desempenho do Jev.


NOTÍCIAS RELACIONADAS

RECOMENDADO PELOS LEITORES

REVISTA DIGITAL

IT SECURITY Nº32 OUTUBRO 2026

IT SECURITY Nº32 OUTUBRO 2026

NEWSLETTER

Receba todas as novidades na sua caixa de correio!

O nosso website usa cookies para garantir uma melhor experiência de utilização.