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Investigadores da Eset identificaram o malware Android PromptSpy. A ameaça utiliza o Gemini em tempo real para garantir persistência após reinício do dispositivo
23/02/2026
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A Eset analisou um novo malware Android designado PromptSpy, descrito como o primeiro a recorrer a Inteligência Artificial (IA) generativa durante a sua execução para reforçar mecanismos de persistência. De acordo com os investigadores, citados pela SecurityWeek, o malware instala um módulo VNC nos dispositivos comprometidos, permitindo aos operadores visualizar o ecrã da vítima e assumir controlo total do equipamento. Entre as capacidades identificadas estão a recolha de informação do dispositivo, captura do PIN ou palavra-passe do ecrã de bloqueio, gravação do padrão de desbloqueio e realização de capturas de ecrã. O elemento diferenciador do PromptSpy é a utilização do chatbot Gemini, da Google, em tempo de execução. O malware envia um prompt acompanhado de um ficheiro XML com informação detalhada sobre os elementos de interface apresentados no ecrã, incluindo tipo, texto e posição. Com base nesses dados, o Gemini devolve instruções em formato JSON indicando onde tocar ou deslizar no ecrã para executar determinadas ações. O PromptSpy utiliza os Android Accessibility Services para executar os gestos sugeridos pela IA, conseguindo, por exemplo, adicionar-se à lista de aplicações recentes. Segundo a Eset, o malware armazena os prompts enviados e as respostas do Gemini, permitindo manter contexto e coordenar interações em múltiplos passos. Ao fixar-se na lista de aplicações recentes, garante persistência mesmo após reinício do dispositivo. O PromptSpy recorre também aos Accessibility Services para dificultar a sua remoção. Quando o utilizador tenta desinstalar a aplicação ou desativar permissões, o malware sobrepõe retângulos transparentes sobre botões críticos (como “stop”, “end”, “clear” ou “Uninstall”) interceptando interações sem que o utilizador perceba. De acordo com os investigadores, a única forma eficaz de remoção é reiniciar o dispositivo em Safe Mode, onde aplicações de terceiros ficam desativadas e podem ser desinstaladas normalmente. A Eset indica que não identificou infeções ativas no terreno, admitindo que o PromptSpy possa tratar-se de uma prova de conceito, à semelhança do ransomware PromptLock analisado anteriormente. No entanto, foi identificado um domínio potencialmente destinado à distribuição do malware a utilizadores na Argentina. A análise aponta, com grau médio de confiança, para origem em programadores chineses, embora não exista, até ao momento, atribuição a um grupo específico de ameaças. O caso evidencia a evolução das ameaças móveis e o potencial uso abusivo de modelos de IA generativa como componente operacional em campanhas de cibersegurança ofensiva. |