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Apenas 34% dos profissionais de cibersegurança planeiam manter-se no atual emprego, num cenário de menor satisfação e maior pressão sobre as equipas
22/04/2026
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A retenção de talento está a tornar-se um dos principais desafios na área da cibersegurança. De acordo com o "Cybersecurity Talent Report 2026", divulgado pela IANS e pela Artico Search, apenas 34% dos profissionais planeiam permanecer nas suas organizações, refletindo uma quebra nos níveis de satisfação. O estudo, baseado em mais de 500 profissionais do setor, aponta para um mercado cada vez mais exigente, onde o aumento das ameaças e a pressão sobre as equipas estão a alterar a relação dos profissionais com o trabalho. “Os líderes de segurança estão a ser chamados a fazer muito mais com os mesmos ou menos recursos, o que muda completamente a forma como têm de pensar o talento”, afirma Nick Kakolowski, Senior Research Director da IANS. Apesar de a remuneração continuar a ser um fator relevante, o relatório conclui que não é o principal elemento de retenção. Em vez disso, fatores como progressão de carreira, reconhecimento e equilíbrio entre vida pessoal e profissional ganham maior peso. Um dos dados mais relevantes mostra que a evolução salarial tem mais impacto do que o salário absoluto, sendo que aumentos, mesmo modestos, estão associados a níveis mais elevados de satisfação e permanência. Os modelos de trabalho flexíveis surgem também como determinantes. O estudo indica que regimes híbridos, com um a dois dias presenciais por semana, apresentam melhores resultados em termos de equilíbrio e retenção. Outro fator crítico é a forma como a segurança é valorizada dentro das organizações. Entre os profissionais que consideram a cibersegurança uma prioridade estratégica, 73% dos inquiridos mostram-se satisfeitos, valor que cai para apenas 19% quando essa perceção não existe. “O talento de topo procura mais do que remuneração: quer visibilidade, crescimento e apoio da liderança”, sublinha Steve Martano, Partner da Artico Search. Perante este cenário, o relatório recomenda que os responsáveis de segurança adotem uma abordagem mais abrangente à gestão de talento, apostando em mentoria, desenvolvimento profissional e cultura organizacional, de forma a reduzir o risco de burnout e aumentar o compromisso das equipas. Num contexto de escassez de profissionais qualificados, a capacidade de atrair e reter talento será um fator determinante para garantir a resiliência das organizações face ao aumento das ciberameaças. |