Analysis
As empresas europeias começaram a investir na proteção de agentes de inteligência artificial autónomos, impulsionadas pela pressão regulatória e os modelos zero trust
11/06/2026
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As organizações europeias estão a aumentar o investimento em tecnologias de segurança destinadas a proteger sistemas de Inteligência Artificial (IA) capazes de operar de forma autónoma, segundo uma análise da Context. A consultora de inteligência de mercado identifica a segurança de identidade aplicada a sistemas autónomos como uma das áreas de cibersegurança com crescimento mais acelerado no primeiro trimestre de 2026. A tendência acompanha a adoção crescente de agentes de IA que executam tarefas, acedem a aplicações empresariais e tomam decisões sem intervenção humana direta. Segundo a Context, estes sistemas estão a criar identidades dentro das redes corporativas, com privilégios de acesso que exigem mecanismos de proteção específicos. Joe Turner, vice-president of research da Context, afirma que as organizações estão a alargar o conceito tradicional de superfície de ataque. Segundo o responsável, os riscos já não se limitam a utilizadores e dispositivos, abrangendo também sistemas autónomos com acesso a informação crítica e recursos empresariais. O relatório Q2 2026 Forecast Report destaca igualmente o crescimento da adoção de arquiteturas Zero Trust e de soluções de conformidade automatizada. A empresa considera que o atual ciclo de investimento em cibersegurança difere dos anteriores, uma vez que está a ser impulsionado por mudanças estruturais nos modelos operacionais e não apenas por incidentes de segurança ou renovação de infraestruturas. A Context antecipa ainda um reforço do investimento em conformidade regulatória durante o segundo semestre de 2026, impulsionado pela implementação de regulamentação europeia como a Diretiva NIS2, o Digital Operational Resilience Act (DORA) e o AI Act. Segundo a análise, estas exigências vão acelerar a procura por software de cibersegurança à medida que as organizações procuram cumprir novos requisitos legais e reduzir o risco de sanções associadas ao incumprimento. Apesar de o mercado europeu de software de cibersegurança ter registado um crescimento homólogo de apenas 1,4% no primeiro trimestre, a Context considera que o valor não reflete totalmente a procura existente. A empresa recorda que o período comparável de 2025 registou um crescimento próximo de 20%, tornando a comparação particularmente exigente. Em contrapartida, o segmento de hardware de cibersegurança manteve a trajetória de queda, com uma redução de 5,7% no primeiro trimestre. A Context prevê que esta tendência continue, ao concentrar a procura por hardware em áreas específicas como infraestruturas soberanas, ambientes industriais e projetos associados a requisitos de conformidade. Para a consultora, a crescente utilização de agentes autónomos de IA vai transformar progressivamente as prioridades de investimento das equipas de segurança, colocando a gestão de identidades e acessos no centro das estratégias de proteção empresarial. |