Analysis
A inteligência artificial está a reduzir o tempo de preparação dos ciberataques e a aumentar o foco dos atacantes nas identidades digitais, conclui o relatório AI Security 2026 da Sophos
02/08/2026
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Os cibercriminosos estão a utilizar cada vez mais Inteligência Artificial (IA) para acelerar a preparação e execução de ataques, através da redução de ciclos que anteriormente demoravam semanas para apenas alguns dias, segundo o relatório AI Security 2026, divulgado pela Sophos. O estudo baseia-se em casos analisados pela equipa de Deteção e Resposta Gerida (MDR) da Sophos X-Ops, na investigação da SophosLabs e da Unidade de Contra-Ameaça (CTU), em trabalhos de investigação sobre IA e em observações realizadas em endpoints e redes de mais de 625 mil clientes em todo o mundo. Segundo a Sophos, o impacto mais imediato da IA no cibercrime não passa pelo surgimento de novos tipos de ataques, mas pela capacidade de acelerar operações já conhecidas. O relatório conclui ainda que as identidades digitais associadas a sistemas de IA, incluindo tokens OAuth, API, agentes e ferramentas de desenvolvimento, estão a tornar-se um dos principais alvos dos atacantes. Entre os casos analisados, a empresa destaca uma campanha identificada como STAC6994, na qual os atacantes recorreram a cerca de 12 agentes de IA para desenvolver e testar técnicas de evasão contra soluções de proteção de endpoints, incluindo produtos da Sophos, CrowdStrike e Microsoft Defender. Segundo a empresa, foram criados quase 80 módulos e mais de 70 técnicas de evasão, reduzindo para poucos dias um processo que anteriormente poderia demorar semanas. O relatório identifica ainda a engenharia social assistida por IA e os deepfakes como ferramentas cada vez mais utilizadas em campanhas de fraude. Entre os exemplos analisados encontra-se um esquema de investimento fraudulento no Reino Unido, no qual a vítima foi atraída durante vários meses através de conteúdos relacionados com IA antes de perder centenas de milhares de libras. A Sophos alerta igualmente para o aumento dos riscos associados à adoção empresarial da IA. À medida que agentes, modelos e ferramentas de desenvolvimento obtêm acesso privilegiado a sistemas críticos, os atacantes procuram comprometer credenciais, permissões de acesso e componentes da cadeia de abastecimento ligados a estas plataformas. “Os cibercriminosos continuam a precisar de acesso inicial, continuam a mover-se lateralmente e a exfiltrar dados por canais observáveis. O que mudou foi o tempo em que o fazem”, afirma John Peterson, diretor de Tecnologia da Sophos. Nas suas palavras, verifica-se que, pela primeira vez, “a IA a ser utilizada ativamente como multiplicador da força operacional. Embora as ferramentas e técnicas fossem familiares, a velocidade de desenvolvimento, testes e iteração era substancialmente diferente”. O responsável acrescenta que “este relatório deixa claro que a segurança da IA já não se resume apenas ao comportamento dos modelos ou a riscos futuros especulativos. A IA está a ser ativamente integrada nos fluxos de trabalho criminosos, nas operações de engenharia social e nos sistemas empresariais de desenvolvimento de software e de identidade. Isto significa que a ameaça já existe, aqui e agora”. |