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Os Estados Unidos terão utilizado capacidades de ciberataque para neutralizar sistemas de defesa aérea iranianos durante ataques realizados em 2025. A operação integrou ações cinéticas e não cinéticas
06/02/2026
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As forças armadas dos EUA terão recorrido a capacidades de ciberataque para perturbar sistemas de defesa aérea do Irão durante uma operação militar em 2025 que teve como alvo instalações associadas ao programa nuclear iraniano. A informação foi avançada por vários responsáveis norte-americanos com conhecimento direto da operação, citados pelo The Record from Recorded Future News. Segundo as fontes citadas pela publicação, a ação digital afetou um sistema militar separado, mas ligado às infraestruturas nucleares de Fordo, Natanz e Isfahan, impedindo o lançamento de mísseis superfície-ar contra aeronaves norte-americanas que operavam no espaço aéreo iraniano. A operação combinou ataques convencionais com efeitos não cinéticos, numa abordagem integrada. De acordo com as declarações de um responsável familiarizado com o processo, os sistemas militares dependem de cadeias complexas de componentes interligados. Neste caso, os operadores norte-americanos terão explorado um ponto específico da rede – designado “aim point” – como um router, servidor ou outro dispositivo periférico. O The Record revela que a operação contou com apoio da National Security Agency (NSA), permitindo aos operadores evitar a intrusão direta em sistemas localizados nas instalações nucleares fortificadas, uma tarefa considerada tecnicamente mais exigente. A componente digital da operação, designada Operation Midnight Hammer, não tinha sido divulgada anteriormente e é descrita como uma das ações mais sofisticadas conduzidas pelo U.S. Cyber Command contra o Irão. O comando tem vindo a reforçar as suas capacidades ofensivas desde que recebeu novas autorizações durante a primeira administração Trump. O general Dan Caine, chairman of the Joint Chiefs of Staff, destacou publicamente o contributo do Cyber Command após a conclusão da operação, referindo que apoiou o “strike package” que atingiu as três instalações nucleares. Em paralelo, responsáveis norte-americanos apontam operações recentes na Venezuela como outro exemplo do uso de capacidades cibernéticas em apoio a missões militares convencionais, incluindo a disrupção de energia elétrica e de sistemas de radar de defesa aérea. Especialistas em estratégia e cibersegurança consideram que estes casos ilustram a crescente normalização do uso de operações cibernéticas como facilitadores de ações militares convencionais, embora alertem para a necessidade de cautela ao extrapolar este modelo. |