News

IA e identidade redefinem ameaças em 2026

Os ataques estão mais rápidos, mais complexos e cada vez mais centrados na identidade, conclui um relatório da Unit 42 que analisou mais de 750 incidentes em 50 países e traça as novas prioridades de defesa para 2026

18/02/2026

IA e identidade redefinem ameaças em 2026

Os ciberataques estão a tornar-se mais rápidos, abrangentes e difíceis de conter, impulsionados pela utilização crescente de Inteligência Artificial (IA), pela exploração de identidades comprometidas e pela expansão do risco na cadeia de fornecimento de software. A conclusão consta do Unit 42 2026 Global Incident Response Report, que analisou mais de 750 incidentes graves em mais de 50 países.

O relatório identifica uma mudança clara na forma como as intrusões evoluem. Os atacantes estão a reduzir o tempo entre o acesso inicial e o impacto no negócio, explorando múltiplas superfícies de ataque em simultâneo. Nos incidentes mais céleres analisados, foram suficientes 72 minutos para evoluir do acesso inicial à exfiltração de dados, um intervalo quatro vezes inferior ao registado no ano anterior.

Identidade como vetor principal

As fragilidades de identidade estiveram presentes em quase 90% das investigações conduzidas pela Unit 42 da Palo Alto Networks. Em vez de recorrerem a técnicas sofisticadas de exploração, os atacantes utilizam credenciais e tokens roubados para “iniciar sessão” em sistemas legítimos, explorando ambientes de identidade fragmentados para escalar privilégios e mover-se lateralmente sem acionar alertas tradicionais.

O relatório sublinha que o excesso de confiança em relações de identidade e permissões excessivas permite transformar uma conta comprometida num incidente de larga escala.

Cadeia de fornecimento e SaaS ampliam impacto

Em 23% dos incidentes analisados, os atacantes exploraram aplicações SaaS de terceiros. Ao abusar de integrações consideradas confiáveis, ferramentas de fornecedores e dependências aplicacionais, conseguem ultrapassar perímetros tradicionais e alargar o impacto além de um único sistema.

A complexidade dos ataques também está a aumentar. Em 87% das intrusões foi registada atividade em múltiplas superfícies, seja endpoints, rede, cloud, SaaS ou sistemas de identidade, obrigando as equipas de segurança a monitorizar ambientes híbridos de forma integrada.

Browser e extorsão sem encriptação

O browser surge como campo de batalha central, com 48% dos incidentes a envolverem atividade baseada em browser. Ataques cruzam fluxos de trabalho quotidianos, como email e aplicações SaaS, transformando comportamentos normais dos utilizadores em vetores de ameaça.

A extorsão também está a evoluir. A encriptação como componente central de ataques ransomware diminuiu 15% face ao ano anterior. Cada vez mais grupos optam por roubo de dados e disrupção direta, estratégia considerada mais rápida e discreta.

Exposição continua a superar sofisticação

Apesar do aumento da automação e da velocidade, a maioria das intrusões não começa com vulnerabilidades inéditas, mas com falhas recorrentes. Em mais de 90% dos incidentes, configurações incorretas ou lacunas na cobertura de segurança facilitaram o ataque.

A proliferação de ferramentas é apontada como um fator crítico. Muitas organizações operam 50 ou mais produtos de segurança, dificultando implementação consistente de controlos e visibilidade clara dos sinais de alerta.

Em vários casos, os indícios estavam presentes nos logs, mas a fragmentação de dados atrasou a deteção durante os minutos mais críticos após o acesso inicial.

Três prioridades para 2026

Com base nas investigações realizadas, a Unit 42 identifica três frentes críticas de atuação: reduzir a exposição, tratando integrações de terceiros, ligações SaaS e atividade em browser com o mesmo nível de controlo aplicado à infraestrutura central; limitar a área de impacto, através de uma gestão de identidades mais rigorosa e da eliminação de permissões excessivas que ampliam o risco; e acelerar a capacidade de resposta, reforçando a visibilidade transversal sobre o ambiente e recorrendo a inteligência artificial para priorizar e conter ciberameaças ao mesmo ritmo a que evoluem os atacantes.

O relatório conclui que os atacantes continuam a explorar complexidade, visibilidade limitada e confiança excessiva nos ambientes empresariais modernos. Num cenário em que a IA acelera tanto defesa como ataque, a capacidade de resposta nos primeiros minutos após a intrusão torna-se determinante para evitar que um incidente evolua para uma violação de segurança com impacto significativo.


NOTÍCIAS RELACIONADAS

RECOMENDADO PELOS LEITORES

REVISTA DIGITAL

IT SECURITY Nº29 ABRIL 2026

IT SECURITY Nº29 ABRIL 2026

NEWSLETTER

Receba todas as novidades na sua caixa de correio!

O nosso website usa cookies para garantir uma melhor experiência de utilização.