Analysis
Os ciberataques estão a ter um impacto significativo no bem-estar dos colaboradores das pequenas e médias empresas em Portugal. Mais de metade dos profissionais afetados reportam níveis elevados de stress, esgotamento ou deterioração da cultura laboral
24/01/2026
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Os ciberataques estão a ter um impacto profundo nas pequenas e médias empresas portuguesas, não apenas ao nível dos sistemas e da continuidade do negócio, mas também no bem-estar psicológico dos colaboradores. De acordo com o Relatório de Ciberpreparação da Hiscox 2025, 68% dos trabalhadores afetados por incidentes de cibersegurança reportam níveis elevados de stress, esgotamento ou uma degradação da cultura laboral. O estudo, divulgado pela Hiscox Portugal e baseado em entrevistas a 5.750 responsáveis pela estratégia de cibersegurança em PME de sete países, incluindo Portugal, realizadas entre julho e agosto de 2025, no âmbito de um estudo desenvolvido em parceria com a Wakefield Research, revela que 41% dos colaboradores afetados experienciam stress elevado, 33% sentem-se esgotados e 22% identificam um aumento da toxicidade no ambiente de trabalho após um ataque. Estes dados mostram que os efeitos dos ciberincidentes vão muito além das perdas financeiras ou dos danos reputacionais, tendo consequências diretas no que diz respeito à motivação, retenção de talento e estabilidade das equipas. Apesar do impacto negativo predominante, o relatório identifica também alguns efeitos positivos em determinados contextos. Cerca de 33% dos colaboradores referem um reforço da camaradagem após um incidente de cibersegurança, enquanto 24% dizem sentir maior lealdade à organização, resultando num impacto positivo líquido de 45%. Ainda assim, a Hiscox sublinha que estes efeitos não compensam os riscos associados à falta de preparação. “Não se trata apenas de proteger dados ou a reputação da empresa. Os ciberataques têm um impacto real nas pessoas e no seu bem-estar”, afirma Ana Silva, Cyber Lead da Hiscox Portugal e Espanha. A responsável destaca a necessidade de investir em estratégias de cibersegurança que integrem boas práticas técnicas e organizacionais, capazes de prevenir incidentes e mitigar os seus efeitos humanos. O relatório evidencia também a crescente exposição das PME portuguesas a ameaças digitais. Nos últimos 12 meses, 54% das empresas foram alvo de pelo menos um ciberataque, sendo que mais de metade registou entre um e dez incidentes no mesmo período. Este cenário confirma a elevada frequência e diversidade das ameaças, reforçando a urgência de rever e reforçar as estratégias de cibersegurança. Segundo a Hiscox, muitas organizações continuam a subestimar o impacto de um ataque, quando, em alguns casos, um único incidente pode colocar em risco a continuidade do negócio. O relatório defende que a cibersegurança deve ser encarada como um investimento estratégico, essencial não só para proteger sistemas e dados, mas também para preservar a confiança, o bem-estar e a resiliência das equipas. |