Analysis
O alerta pariu da diretora de foreign intelligence e cibersegurança do Ministério da Defesa da Suécia durante a Munich Cyber Security Conference. Responsável afirma que sociedades devem preparar-se para funcionar sob uma pressão sustentada
13/02/2026
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As ciberameaças e híbridas tornaram-se uma característica permanente do ambiente de segurança europeu, segundo Lisa Gustafsson, diretora de foreign intelligence e cibersegurança do Ministério da Defesa da Suécia. A responsável falava na Munich Cyber Security Conference, onde defendeu que as sociedades devem preparar-se para funcionar sob pressão prolongada. De acordo com Gustafsson, citada pelo The Record, do grupo Recorded Future News, a invasão em larga escala da Ucrânia pela Rússia marcou um ponto de viragem, normalizando o uso combinado de força militar, pressão económica, operações de informação e atividades no ciberespaço. A responsável sublinhou que o cenário atual é de confrontação de longo prazo, em que diferentes instrumentos de poder são utilizados de forma persistente e deliberada. Segundo a dirigente sueca, muitos conflitos são hoje conduzidos abaixo do limiar de guerra aberta, recorrendo a operações cibernéticas e campanhas de informação destinadas a minar a confiança pública e gerar insegurança, em vez de provocar danos físicos imediatos. Em resposta, a Suécia está a implementar o maior programa de rearmamento desde a Guerra Fria, ao mesmo tempo que reforça a defesa civil e a cibersegurança nacional no âmbito do conceito de “defesa total”, que atribui à segurança uma responsabilidade transversal a toda a sociedade. Segundo o The Record, Gustafsson destacou que serviços críticos como saúde, energia, transportes, comunicações e abastecimento alimentar e de água estão cada vez mais digitalizados, o que aumenta a exposição a disrupções cibernéticas. As forças armadas dependem desses sistemas civis para operar, tornando a resiliência um elemento central da dissuasão. No modelo sueco, as autoridades civis são responsáveis pela proteção dos serviços públicos essenciais, enquanto as forças armadas asseguram a defesa cibernética dos sistemas ligados à defesa. O National Cyber Security Centre (NCSC) coordena o esforço global, em articulação com a equipa nacional de resposta a incidentes. Em 2024, teve início o processo de integração do NCSC na agência sueca de signal intelligence, a Defence Radio Establishment. A reestruturação ocorre num contexto geopolítico alterado, após a adesão formal da Suécia à NATO na sequência da invasão russa da Ucrânia. À semelhança do modelo britânico, o NCSC sueco deverá reforçar a colaboração com o setor privado, que detém ou opera grande parte das infraestruturas críticas do país. |