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Cibersegurança: Continuamos realmente no controlo dos sistemas que criámos?

Por inerência de funções tenho a possibilidade de interagir com dezenas de profissionais do setor, como foi exemplo o último fireside chat Securnet no IT Security Summit 2026.

Por Luis Miguel Sousa, BU Manager GRC & Consulting da Securnet . 01/06/2026

Cibersegurança: Continuamos realmente no controlo dos sistemas que criámos?

Dessa proximidade emerge uma constatação clara: a cibersegurança não está apenas a evoluir — está a mudar de natureza. A transformação não reside nas ferramentas, mas numa alteração profunda no equilíbrio entre velocidade, autonomia e controlo.

Neste novo contexto, três tendências estão a redefinir o papel do SOC, do GRC e do Red Teaming — não como domínios isolados, mas como partes de um sistema integrado.

  1. AI como motor operacional — e o novo desafio da governance

    A integração de AI na cibersegurança deixou de ser opcional. No SOC, permite automatizar triagem, acelerar investigação e reduzir carga operacional. Os ganhos são tangíveis: maior eficiência, melhor priorização e resposta mais rápida perante volumes crescentes de eventos. Mas esta transformação vai muito além do SOC.

    No domínio de GRC, a AI está a introduzir uma mudança semelhante: controlos que antes eram avaliados periodicamente passam a ser validados de forma contínua, com base em evidência operacional e dados em tempo quase real.

    Este movimento representa uma evolução significativa: segurança deixa de ser um conjunto de verificações estáticas e passa a ser um processo dinâmico e contínuo.

    Contudo, este avanço traz um novo desafio. À medida que a autonomia aumenta, o foco desloca-se da automação para a governance:

    Como garantir explicabilidade nas decisões?
    Onde se mantém o controlo humano?
    Como evitar dependência excessiva de sistemas autónomos?

    A própria investigação recente alerta que a dependência excessiva em AI pode comprometer a resiliência organizacional, criando a ilusão de controlo em ambientes cada vez mais complexos2.

    A equação torna-se clara: mais autonomia exige melhor governação — não menos intervenção.

  2. Cybersecurity1: quando defender deixa de ser reagir

    Durante décadas, a cibersegurança assentou num modelo reativo: detetar e responder. Esse modelo continua essencial, mas tornou-se insuficiente face a adversários que operam cada vez mais com automação e inteligência artificial, encurtando drasticamente o tempo de exploração.

    A resposta está a evoluir para um paradigma antecipatório: identificar exposição antes de ser explorada, introduzir mecanismos de deception e criar fricção ao atacante.

    Na prática, organizações mais avançadas procuram já não apenas responder a incidentes, mas condicionar o comportamento do adversário desde o primeiro momento. O SOC mantém um papel central e torna-se cada vez mais abrangente.

  3. Red Teaming contínuo: validar a organização como um sistema

    Perante este nível de complexidade, surge uma questão inevitável: como validar o risco de forma real?

    É aqui que surge o Red Team moderno que vai além da exploração técnica:

    Simulações avançadas de engenharia social, baseadas em contextos reais;
    Testes de segurança física, como abordagens tipo “colaborador mistério”;
    Exploração de ambientes reais, como ataques Evil Twin, simulação ramsomware, entre outros
    e cadeias de ataque completas, que combinam de forma criativa vetores técnicos e humanos.

    Este tipo de abordagem aproxima-se do comportamento real de um adversário e expõe fragilidades invisíveis nos modelos tradicionais.

    Em paralelo, a utilização de AI permite escalar estas simulações e aumentar a sofisticação dos cenários testados.

    Mais do que identificar vulnerabilidades, estes exercícios revelam algo mais profundo: a diferença entre o que está definido e o que realmente acontece sob pressão.

    Neste contexto, o Red Teaming assume um papel crítico: validar não apenas sistemas ou controlos, mas a capacidade real da organização resistir a um ataque em condições reais.

Em jeito de Conclusão

A cibersegurança deixa assim de ser uma função isolada onde tecnologia, processos, pessoas e governance, interagem no tal “triângulo de quatro lados” num sistema vivo e em constante adaptação.

E, nesse contexto, emerge uma questão menos operacional — mas decisiva:

Quando a execução se torna automatizada e a deteção contínua… a verdadeira diferenciação já não está na capacidade de reagir — está na capacidade de compreender, em tempo útil, se estamos efetivamente no controlo do sistema que criámos.

Na Securnet (grupo EVOLUTIO) acreditamos que estamos posicionados de forma responsável e competente para colaborar com os nossos parceiros na sua jornada de adoção de inteligência artificial, capitalizando-a como alavanca do “savoir‑faire” dos nossos colaboradores, numa jornada que se pretende segura, governada e orientada à criação de valor real, onde inovação, controlo e confiança evoluem de forma equilibrada.

1- Top 10 Strategic Technology Trends for 2026, Gartner

2- Empowering Defenders: AI for Cybersecurity – White Paper May 2026 – World Economic Forum

 

Conteúdo co-produzido pela MediaNext e pela Securnet


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