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Google e Mozilla lançaram atualizações para corrigir 114 falhas de segurança nos seus browsers. A Mozilla apresentou ainda o Firefox Enterprise, com novas ferramentas de gestão e controlo empresarial
14/10/2026
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A Google e a Mozilla disponibilizaram novas atualizações de segurança para os browsers Chrome e Firefox, corrigindo um total de 114 vulnerabilidades, incluindo falhas críticas de memória que podem comprometer a segurança dos utilizadores. O Chrome recebeu correções para 37 vulnerabilidades, enquanto o Firefox 158 resolve 77 problemas de segurança. As atualizações incluem falhas de utilização de memória libertada (use-after-free), elevação de privilégios e mecanismos de isolamento dos browsers. Em paralelo, a Mozilla anunciou o Firefox Enterprise, uma nova oferta destinada a organizações com requisitos exigentes de Segurança, governação e conformidade regulamentar. A atualização do Google Chrome resolve 37 vulnerabilidades, das quais sete foram classificadas como críticas. Estas incluem uma falha de buffer overflow no componente ANGLE e seis vulnerabilidades use-after-free que afetam os componentes Browser, PDF, Network, Core, SVG e Media. As falhas use-after-free ocorrem quando uma aplicação tenta utilizar uma região de memória que já foi libertada, podendo provocar comportamentos inesperados e, em determinadas condições, permitir a execução de código. Este tipo de vulnerabilidade representa também a maioria das 29 falhas de gravidade elevada corrigidas nesta atualização. A única vulnerabilidade de gravidade média identificada pela Google é igualmente um problema use-after-free. Segundo o boletim de Segurança da empresa, pelo menos 15 das vulnerabilidades foram identificadas por Xinyang Ge, da Anthropic, com o apoio do modelo de Inteligência Artificial (IA) Claude. A utilização de ferramentas de IA na identificação de vulnerabilidades surge, assim, como um dos elementos relevantes desta atualização, refletindo a crescente aplicação destas tecnologias à análise de software. As correções estão a ser distribuídas através das versões 155.0.8059.79/.80 para Windows e macOS e 155.0.8059.79 para Linux. A Mozilla disponibilizou o Firefox 158, que inclui correções para 77 vulnerabilidades. Destas, 40 foram identificadas internamente pela Mozilla e nove por Amy Burnett, da OpenAI. A atualização resolve 30 vulnerabilidades classificadas com gravidade elevada, abrangendo diferentes categorias de problemas de Segurança. Entre as falhas corrigidas encontram-se vulnerabilidades use-after-free, problemas que permitem escapar aos mecanismos de isolamento (sandbox escape), elevação de privilégios e divulgação indevida de informação. Foram também corrigidos erros relacionados com a validação de limites de memória, race conditions, compilação just-in-time (JIT) e operações com números inteiros. Estas vulnerabilidades podem ter impactos distintos, dependendo do componente afetado e das condições necessárias para a exploração. A Mozilla disponibilizou igualmente atualizações para o Thunderbird 158 e 153.5, bem como para o Firefox Extended Support Release (ESR) nas versões 153.5 e 115.43. Estas versões incluem correções para várias das vulnerabilidades identificadas, permitindo que organizações que utilizam edições com suporte prolongado também beneficiem das atualizações de segurança. Não foram divulgadas, na informação apresentada, indicações de exploração ativa das vulnerabilidades corrigidas no Chrome ou no Firefox. Mozilla apresenta Firefox Enterprise para ambientes empresariaisAlém das atualizações de Segurança, a Mozilla anunciou o Firefox Enterprise, uma oferta dirigida a organizações com requisitos específicos de governação, conformidade e controlo da utilização dos browsers. A solução inclui uma consola de gestão que pode ser implementada na infraestrutura da própria organização. Através desta consola, as equipas de IT e cibersegurança podem administrar políticas de utilização, controlar acessos, gerir transferências de dados e definir regras relacionadas com a utilização de IA. Segundo a Mozilla, o objetivo é proporcionar maior controlo sobre o ambiente de navegação e sobre os dados que circulam através do browser. A possibilidade de alojar a infraestrutura de gestão nos sistemas da organização constitui um dos elementos diferenciadores da oferta. Em vez de depender exclusivamente de serviços externos para a administração do browser, as empresas podem manter o controlo sobre a localização dos dados e sobre os mecanismos de gestão. A Mozilla destaca também a compatibilidade do Firefox Enterprise com ferramentas já utilizadas pelas organizações. A solução foi concebida para funcionar com fornecedores de identidade, plataformas de SIEM e sistemas de gestão de dispositivos móveis (MDM). Desta forma, as empresas podem integrar o browser nas suas arquiteturas de segurança sem substituir necessariamente as plataformas de gestão existentes. Outro argumento apresentado pela Mozilla é a utilização do motor Gecko, desenvolvido independentemente das arquiteturas de browsers da Google e da Apple. A empresa considera que esta independência pode ajudar as organizações a reduzir a dependência de uma única arquitetura tecnológica. O lançamento do Firefox Enterprise surge num contexto em que os browsers assumem um papel cada vez mais relevante no acesso a aplicações empresariais, serviços cloud e ferramentas de IA. Para as equipas de segurança, a gestão centralizada das políticas de navegação, dos acessos e das transferências de informação torna-se particularmente importante em ambientes de trabalho distribuídos. Atualização dos browsers deve ser prioritáriaAs 114 vulnerabilidades corrigidas demonstram a importância de manter os browsers atualizados, uma vez que estas aplicações constituem um dos principais pontos de contacto entre os utilizadores e conteúdos externos. Em ambientes empresariais, as equipas de IT devem confirmar a distribuição das novas versões do Chrome e Firefox, incluindo as edições ESR utilizadas em organizações com políticas de atualização mais conservadoras. A prioridade deve recair sobre a aplicação das correções de gravidade crítica e elevada, especialmente as relacionadas com problemas de memória e mecanismos de isolamento. |