Threats

Ivanti corrige zero-day explorado em ataques a equipamentos VPN

Uma cadeia de três vulnerabilidades permitiu a atacantes obter acesso root a equipamentos Ivanti Connect Secure atualizados. Duas falhas já foram corrigidas, mas uma terceira continua sem patch

14/10/2026

Ivanti corrige zero-day explorado em ataques a equipamentos VPN
Svitlana / AdobeStock

A Ivanti alertou para a exploração ativa de uma vulnerabilidade zero-day nos seus equipamentos VPN Connect Secure (ICS), que permite a execução remota de comandos sem autenticação. A falha, identificada como CVE-2026-104935 e classificada com gravidade elevada, foi utilizada numa cadeia de exploração que permitiu a um grupo de atacantes obter privilégios root num equipamento que tinha todas as atualizações de segurança disponíveis instaladas.

A Ivanti confirmou ter conhecimento de ataques que afetaram um número limitado de clientes e disponibilizou atualizações para corrigir duas das vulnerabilidades envolvidas. No entanto, uma terceira falha, relacionada com a elevação de privilégios, permanece sem correção.

A atividade maliciosa foi identificada pela empresa de cibersegurança Volexity durante a investigação de um incidente num dos seus clientes. Os investigadores atribuíram a operação a um grupo até então não documentado, identificado como UTA0576, que explorou uma cadeia de três vulnerabilidades zero-day para comprometer um equipamento Ivanti Connect Secure.

Segundo a Volexity, a CVE-2026-104935 abrange duas falhas: uma que permite contornar a autenticação e outra que possibilita a execução remota de código. A combinação destas vulnerabilidades com uma terceira falha de elevação de privilégios permitiu aos atacantes executar comandos com permissões root, sem necessidade de credenciais válidas. O facto de o equipamento estar totalmente atualizado demonstra que as correções anteriormente disponíveis não eram suficientes para impedir este ataque. A Volexity encontrou indícios de exploração desde 3 de outubro de 2026, enquanto a Ivanti divulgou o alerta e as respetivas correções a 13 de outubro.

Depois de comprometerem o equipamento VPN, os atacantes concentraram a sua atividade na recolha de credenciais, reconhecimento da rede e extração de informação. A investigação da Volexity identificou o roubo de credenciais de domínio armazenadas no equipamento e a exfiltração de uma quantidade limitada de metadados do Active Directory.

Os atacantes utilizaram ainda uma ferramenta personalizada para procurar palavras-passe geridas pelo Windows Local Administrator Password Solution (LAPS) e chaves de recuperação do BitLocker. A operação incluiu também tentativas de password spraying.

Os investigadores observaram igualmente a utilização de uma ferramenta Kerberos desenvolvida pelos atacantes para testar credenciais, bem como tentativas de extrair informação de autenticação a partir de tráfego de rede capturado.

Além destas atividades, o grupo realizou pesquisas na rede interna, recolheu dados de configuração do equipamento e analisou registos de autenticação para identificar nomes de utilizador válidos. A Volexity detetou também tentativas de manipulação de registos, mas não encontrou evidências da instalação de backdoors ou web shells no equipamento comprometido.

A atividade foi identificada e interrompida antes de os atacantes concretizarem os seus objetivos finais. Ainda assim, a Volexity considera, com elevado grau de confiança, que as ações observadas eram consistentes com a preparação de movimentação lateral e de uma possível expansão do ataque à rede da organização.

A recolha de credenciais de domínio, a procura de chaves de recuperação BitLocker e o reconhecimento de sistemas internos poderiam facilitar o acesso a outros equipamentos e serviços. Quanto à motivação do grupo UTA0576, os investigadores admitem a possibilidade de se tratar de uma operação de natureza criminosa, em vez de espionagem. Esta avaliação apresenta, contudo, um baixo grau de confiança.

A Volexity considera também, com confiança moderada, que o grupo poderá ter utilizado grandes modelos de linguagem (LLM) no desenvolvimento dos exploits e nas atividades posteriores à exploração. Esta hipótese resulta da análise da operação e não constitui uma confirmação de que tenham sido utilizadas ferramentas específicas de inteligência artificial.

A Ivanti disponibilizou atualizações para corrigir as duas vulnerabilidades abrangidas pela CVE-2026-104935. As versões corrigidas do Ivanti Connect Secure são 22.8R2.5, 25.1.1.2, 25.1.3.0 e 25.1.3.1.

A terceira vulnerabilidade utilizada na cadeia de ataque, que permite a elevação de privilégios, ainda não dispõe de patch. A fabricante prevê disponibilizar uma correção nas próximas semanas. Embora esta falha permaneça por resolver, a instalação das atualizações já disponibilizadas é importante para interromper a cadeia de exploração conhecida, uma vez que corrige as vulnerabilidades utilizadas para obter o acesso inicial.

Para as organizações que utilizam Ivanti Connect Secure, o incidente reforça a necessidade de verificar não apenas a versão instalada, mas também a eventual existência de sinais de comprometimento anteriores à aplicação das correções.

A análise de registos de autenticação, a identificação de acessos suspeitos e a revisão das credenciais armazenadas nos equipamentos VPN assumem particular importância, tendo em conta as atividades observadas pela Volexity.

Nos sistemas potencialmente comprometidos, a atualização do software não elimina, por si só, o risco associado a credenciais que possam ter sido roubadas. A investigação demonstra ainda que o comprometimento de um equipamento VPN pode proporcionar aos atacantes um ponto de entrada para operações mais abrangentes, mesmo quando o dispositivo se encontrava atualizado antes da divulgação das vulnerabilidades.


NOTÍCIAS RELACIONADAS

RECOMENDADO PELOS LEITORES

REVISTA DIGITAL

IT SECURITY Nº32 OUTUBRO 2026

IT SECURITY Nº32 OUTUBRO 2026

NEWSLETTER

Receba todas as novidades na sua caixa de correio!

O nosso website usa cookies para garantir uma melhor experiência de utilização.