Analysis
A Eset conclui que o agravamento das tensões geopolíticas alimentou novas operações de ciberespionagem e sabotagem entre outubro de 2025 e março de 2026
31/07/2026
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Os conflitos geopolíticos continuam a moldar a atividade dos grupos de ameaças avançadas patrocinados por Estados. A conclusão consta do mais recente relatório da Eset, que analisa as operações de ciberespionagem observadas entre outubro de 2025 e março de 2026. Segundo a empresa, os grupos alinhados com a China mantiveram uma atividade intensa em regiões como a Venezuela, a Síria e a Coreia do Sul, dirigindo operações contra entidades governamentais e organizações dos setores da energia, transporte marítimo e tecnologia. O relatório identifica ainda um interesse continuado por áreas estratégicas, como a inteligência artificial e a robótica. No Médio Oriente, a guerra no Irão coincidiu com alterações na atividade de grupos associados a Teerão, incluindo campanhas contra organizações em Israel. A Eset identificou também operações ainda sem atribuição definitiva, que combinam recolha de informação com ferramentas concebidas para causar danos nos sistemas das vítimas. A Coreia do Norte manteve igualmente uma presença relevante no panorama das ameaças. De acordo com a investigação, os grupos ligados ao regime continuaram a visar programadores, plataformas de criptomoedas e setores industriais estratégicos. Entre os casos analisados encontram-se ataques contra uma empresa sul-coreana ligada ao manuseamento de hidrogénio líquido e ao setor nuclear, bem como operações com potencial impacto na cadeia de fornecimento de software. Já os grupos associados à Rússia permaneceram focados na Ucrânia e em organizações ligadas ao esforço de defesa do país. O relatório destaca, contudo, um incidente fora do território ucraniano, no qual uma empresa do setor energético na Polónia foi alvo de um ataque destrutivo atribuído, com um grau de confiança médio, ao grupo Sandworm. “Este período mostra de forma clara como os conflitos armados, a competição geopolítica e os interesses estratégicos dos Estados continuam a refletir-se diretamente no ciberespaço. O que observamos é uma combinação de espionagem, sabotagem, operações destrutivas e pressão crescente sobre governos, infraestruturas críticas e setores tecnológicos sensíveis”, afirma Ricardo Neves, da Eset Portugal. Além destas operações, a Eset identificou campanhas de spyware para Android dirigidas a utilizadores de língua árabe, uma intrusão numa empresa de defesa dos Emirados Árabes Unidos e ataques de phishing contra organizações no Japão. Para a empresa, estes casos demonstram que os grupos de ameaças avançadas continuam a diversificar os seus alvos, técnicas e áreas de atuação, acompanhando a evolução do contexto geopolítico. |