Opinion
À medida que avançamos em 2026, inovações como a inteligência artificial e a computação quântica estão a transformar a cibersegurança. O risco de os cibercriminosos explorarem o potencial destas tecnologias para se infiltrarem em empresas despreparadas é real, e as organizações têm de começar desde já a construir resiliência nos seus sistemas críticos
Por Quentyn Taylor, EMEA Senior Director of Product, Information Security and Global Incident Response, Canon Europa . 11/02/2026
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Os responsáveis de cibersegurança enfrentam um duplo desafio: defender-se das ameaças atuais enquanto se preparam para as que virão. Falar de IA e de computação quântica é irrelevante se os alicerces básicos não estiverem assegurados. O primeiro passo é regressar ao essencial – reforçar boas práticas de ciberhigiene e fortalecer as defesas contra ameaças já conhecidas. Um panorama de ameaças em constante evoluçãoAs inovações que vemos todos os dias estão a redefinir o panorama da cibersegurança, permitindo aos cibercriminosos intensificar e escalar ataques, enquanto contornam as defesas das empresas. As organizações não devem esperar pelo aparecimento generalizado de ameaças baseadas em IA ou pela quebra da encriptação através da computação quântica para reforçarem a segurança dos seus sistemas – os cibercriminosos continuam a recorrer com sucesso a métodos tradicionais e comprovados. A IA não está a mudar a natureza das ameaças – está a amplificá-las, tornando-as mais rápidas e acessíveis. Por isso, reforçar as defesas atuais é um elemento crítico na preparação para os riscos associados à IA e à computação quântica. Não perder de vista o presenteAtualmente, muitas empresas já enfrentam um aumento significativo de ameaças. Tornar-se resiliente às ameaças futuras exige, antes de mais, visibilidade sobre a arquitetura digital, mecanismos de deteção eficazes, capacidades de resposta robustas e planos de recuperação bem praticados. Estes componentes essenciais de um plano de segurança têm de estar plenamente implementados e, uma vez assegurados, complementam estratégias de preparação mais avançadas, melhorando a visibilidade dos sistemas, testando a robustez dos planos de resposta e reforçando a gestão global da cadeia de abastecimento. Responder às ameaças de hojeAs ameaças atuais podem não ter a notoriedade do chamado “Q-day” – o momento em que os computadores quânticos conseguem quebrar a encriptação moderna – nem o ‘hype’ da IA, mas são igualmente críticas. A complexidade digital das empresas torna-as vulneráveis a violações de segurança, seja nas suas próprias defesas, em pontos mais distantes da cadeia de abastecimento ou em endpoints remotos. A segurança de endpoints é uma área crítica e muitas vezes negligenciada: muitas organizações não têm visibilidade total sobre potenciais pontos de entrada. A impressão é um desses endpoints frequentemente ignorados, apesar de ser responsável pelo fluxo de informação dentro das empresas e altamente vulnerável quando não está protegida. De facto, 56% das empresas reportaram pelo menos uma perda de dados através de impressoras no último ano , o que reforça a necessidade de visibilidade total e de uma postura sólida de segurança de impressão. As cadeias de abastecimento globais também são particularmente vulneráveis a perdas de dados e ciberataques, devido à interligação de múltiplos fornecedores com diferentes níveis de maturidade de segurança. A falta de visibilidade sobre as práticas de segurança de um parceiro pode colocar uma organização em risco – e não por falhas internas, mas porque um fornecedor pode ser o “elo mais fraco”. É essencial conseguir isolá-los rapidamente em caso de comprometimento. Construir resiliência operacional em 2026 e mais além implica considerar tanto as ameaças atuais, como as emergentes. As empresas precisam de visibilidade abrangente, mecanismos de isolamento para parceiros comprometidos, planos de ação claros e simulações regulares para aumentarem o nível de preparação. Outras atividades de preparação – como simular respostas a incidentes e processos de recuperação – são fundamentais para garantir que as equipas estão preparadas para o inevitável. Tudo isto pode e deve ser trabalhado desde já. É tempo de agirAssegurar a continuidade do negócio exige que as equipas de segurança estejam atentas às ameaças emergentes. No entanto, enquanto algumas – como a desencriptação quântica – exigem planeamento de longo prazo e investimento significativo, defender-se das ameaças atuais e da crescente utilização de IA requer ação imediata para aumentar já a preparação. Este é um primeiro passo crítico para garantir uma defesa robusta face às ameaças emergentes. As equipas de segurança têm de equilibrar a proteção contra riscos atuais com a preparação a longo prazo. As empresas que priorizarem medidas de segurança sólidas contra as ameaças de hoje estarão mais bem preparadas para enfrentar os desafios de amanhã. |