Threats

Ivanti corrige duas novas vulnerabilidades zero-day exploradas em ataques ao Connect Secure

As falhas CVE-2026-111357 e CVE-2026-118527 foram utilizadas em conjunto com uma vulnerabilidade de autenticação para obter acesso root a equipamentos VPN. A CISA já incluiu ambas no catálogo de vulnerabilidades exploradas ativamente e a Ivanti recomenda a atualização para as versões mais recentes do Connect Secure

02/11/2026

Ivanti corrige duas novas vulnerabilidades zero-day exploradas em ataques ao Connect Secure
Vadym / AdobeStock

A Ivanti disponibilizou atualizações de segurança para corrigir duas vulnerabilidades zero-day no Ivanti Connect Secure (ICS), exploradas em ataques que combinaram três falhas para comprometer equipamentos VPN. As vulnerabilidades foram adicionadas ao catálogo Known Exploited Vulnerabilities (KEV) da agência norte-americana CISA, confirmando a existência de exploração ativa.

As duas falhas, identificadas como CVE-2026-111357 e CVE-2026-118527, foram acrescentadas ao aviso de segurança publicado originalmente pela Ivanti a 13 de outubro, relativo à CVE-2026-104935, uma vulnerabilidade que permite contornar os mecanismos de autenticação do Connect Secure.

Segundo a fabricante, a combinação das três vulnerabilidades foi utilizada em ataques que afetaram um número limitado de clientes. A exploração permitiu aos atacantes obter privilégios elevados em equipamentos que, à data dos incidentes, tinham todas as atualizações disponíveis instaladas.

A CVE-2026-111357, classificada com uma gravidade de 8,8 na escala CVSS, resulta da ausência de autenticação numa função crítica do produto. A falha permite que um atacante autenticado, com acesso local, eleve os seus privilégios no sistema.

Esta era a vulnerabilidade de escalada de privilégios para a qual ainda não existia uma correção quando os ataques foram divulgados, em meados de outubro.

Já a CVE-2026-118527, com uma pontuação CVSS de 4,3, está relacionada com a geração de identificadores previsíveis. A sua exploração permite que um atacante autenticado carregue remotamente ficheiros com conteúdos à sua escolha para uma localização conhecida no disco.

Embora as duas vulnerabilidades tenham requisitos de exploração específicos, a sua combinação com a CVE-2026-104935, que permite contornar a autenticação, criou uma cadeia de ataque capaz de proporcionar execução de código com privilégios root sem necessidade de credenciais válidas.

A empresa de cibersegurança Volexity identificou esta cadeia de exploração durante a investigação de um incidente num dos seus clientes. Segundo a análise, os atacantes conseguiram comprometer um equipamento Ivanti Connect Secure que se encontrava totalmente atualizado na altura do ataque.

Atualizações anteriores não corrigem todas as falhas

As vulnerabilidades CVE-2026-111357 e CVE-2026-118527 afetam o Ivanti Connect Secure 25.1.1.2 e versões anteriores, bem como o 22.8R2.5 e versões anteriores. As correções estão incluídas nas versões 25.1.1.3 e 22.8R2.6, respetivamente.

Esta distinção é particularmente relevante para as organizações que já tinham aplicado as atualizações disponibilizadas em outubro. As versões 25.1.1.2 e 22.8R2.5 corrigiam a CVE-2026-104935, mas não eliminavam as restantes vulnerabilidades utilizadas na cadeia de ataque.

Assim, as organizações que atualizaram os equipamentos após o primeiro aviso de segurança terão de instalar novas versões para garantir a correção das três falhas.

“A versão mais recente corrige todas as vulnerabilidades que foram combinadas e exploradas em ataques reais”, afirmou a Ivanti.

A fabricante explicou que, quando identificou os ataques, a correção para a CVE-2026-104935 já se encontrava em processo de validação de qualidade. Depois de descobrir a vulnerabilidade de escalada de privilégios, optou por disponibilizar imediatamente a atualização existente, uma vez que esta bloqueava a principal via de exploração.

A Ivanti indicou ainda que parte da vulnerabilidade tinha sido identificada anteriormente através do seu programa de segurança de produto e corrigida na versão 25.1.3.0, disponibilizada em julho. Os ataques ocorreram enquanto a empresa trabalhava na disponibilização da correção para outras versões suportadas.

CISA estabelece prazos para correção

A Cybersecurity and Infrastructure Security Agency (CISA) acrescentou as duas novas vulnerabilidades ao catálogo KEV a 30 de outubro, depois de confirmada a sua exploração ativa.

Para as agências federais norte-americanas abrangidas pelas obrigações aplicáveis, a CISA estabeleceu o prazo de 2 de novembro para corrigir a CVE-2026-111357 e de 13 de novembro para a CVE-2026-118527.

A inclusão no KEV reforça a necessidade de as organizações verificarem as versões instaladas nos equipamentos Ivanti Connect Secure, sobretudo quando estes estão expostos à Internet e asseguram o acesso remoto às redes empresariais.

Atacantes procuravam credenciais e informação sensível

A Volexity atribuiu a atividade a um grupo anteriormente desconhecido, que passou a identificar como UTA0576.

Durante a investigação, a empresa observou que os atacantes se concentravam principalmente no roubo de credenciais, na exfiltração de dados, na análise da rede e na manipulação de registos de atividade.

Estas ações sugerem que o acesso inicial aos equipamentos VPN era utilizado como ponto de entrada para recolher informação e explorar outros recursos da infraestrutura comprometida.

A Volexity considera, com um grau de confiança reduzido, que o grupo terá motivações financeiras, em vez de estar associado a operações de espionagem. A atribuição permanece, por isso, incerta.

A empresa identificou os primeiros indícios de exploração a 3 de outubro, antes da divulgação pública das vulnerabilidades. A Defused, especializada em inteligência sobre ameaças, reportou igualmente atividade contra os seus sistemas de deteção a partir de 1 de outubro, que acredita estar relacionada com a CVE-2026-104935.

Os incidentes demonstram que a cadeia de exploração estava a ser utilizada antes de os utilizadores terem conhecimento das vulnerabilidades e de estarem disponíveis todas as correções necessárias.

Para as organizações que utilizam o Ivanti Connect Secure, a prioridade passa pela instalação das versões corrigidas e pela análise de eventuais sinais de comprometimento, uma vez que a aplicação das atualizações anteriores não assegura proteção contra a totalidade da cadeia de ataque.


NOTÍCIAS RELACIONADAS

RECOMENDADO PELOS LEITORES

REVISTA DIGITAL

IT SECURITY Nº32 OUTUBRO 2026

IT SECURITY Nº32 OUTUBRO 2026

NEWSLETTER

Receba todas as novidades na sua caixa de correio!

O nosso website usa cookies para garantir uma melhor experiência de utilização.