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Novo kit de phishing usa passkeys para manter acesso

O iAuthFlow V2 introduz uma técnica que permite aos atacantes manter o acesso a contas comprometidas mesmo depois da alteração da palavra-passe e da revogação das sessões ativas

24/08/2026

Novo kit de phishing usa passkeys para manter acesso
Aiden / AdobeStock

Um novo kit de phishing comercializado em fóruns de cibercrime permite, alegadamente, registar uma passkey controlada pelo atacante numa conta comprometida, criando uma forma de acesso persistente que sobrevive à alteração da palavra-passe. O iAuthFlow V2 foi identificado num fórum de língua russa e está à venda por 10 mil dólares, com módulos adicionais comercializados separadamente.

A análise foi realizada pela Abnormal com base nas publicações e demonstrações disponibilizadas pelo vendedor do iAuthFlow V2, sem que os investigadores tenham adquirido ou executado o malware. A empresa analisou, em particular, o funcionamento anunciado para o módulo de passkeys num ataque contra uma conta Gmail, pelo que salienta que existe ainda pouca informação independente sobre o kit.

O ataque começa com uma campanha de phishing convencional e depende de a vítima introduzir as credenciais numa página controlada pelo atacante. Em paralelo, é utilizado um segundo ambiente de browser, alojado no servidor do atacante e ligado à sessão da vítima, para retransmitir as credenciais e as respostas de autenticação.

Durante o processo, o iAuthFlow V2 consegue, segundo a análise, adicionar uma passkey previamente preparada à conta. Quando a Google solicita uma nova autenticação, a vítima acredita estar apenas a concluir o processo iniciado na página apresentada, mas acaba por autorizar também a credencial controlada pelo atacante.

Esta técnica altera a resposta habitual a um ataque de phishing. A mudança da palavra-passe e a revogação das sessões ativas permitem normalmente impedir a reutilização de credenciais ou cookies de sessão comprometidos, mas não eliminam necessariamente uma passkey entretanto associada à conta.

“Alterar a palavra-passe e revogar as sessões ativas são respostas padrão a uma caixa de correio comprometida. Quando o acesso de um atacante está limitado a cookies de sessão capturados, estas ações normalmente terminam esse acesso”, explica a Abnormal.

Uma passkey, contudo, constitui uma credencial registada na própria conta e não um token derivado da palavra-passe. Se permanecer associada à conta, o atacante pode voltar a utilizá-la como método alternativo de autenticação sem conhecer a nova palavra-passe.

A Abnormal alerta, por isso, que a alteração da palavra-passe pode já não ser suficiente em determinados ataques de phishing, sendo necessário verificar também os métodos de autenticação e as passkeys registadas na conta e remover credenciais desconhecidas.

Os investigadores ressalvam, no entanto, que as conclusões sobre o iAuthFlow V2 resultam da análise das informações divulgadas pelo próprio vendedor e não da utilização direta do kit. O caso evidencia, segundo a empresa, a evolução das técnicas de engenharia social e a utilização de mecanismos de autenticação legítimos para prolongar o acesso a contas comprometidas.


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