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C-Days 2025: “Uma entidade que já faz uma gestão madura não tem de mudar o seu modus operandi com a NIS2”

A regulação, e em particular a NIS2, foi um dos temas em destaque na edição de 2025 do C-Days, organizado pelo Centro Nacional de Cibersegurança

25/06/2025

C-Days 2025: “Uma entidade que já faz uma gestão madura não tem de mudar o seu modus operandi com a NIS2”

O segundo dia do C-Days 2025 – que se realiza entre 24 e 26 de junho no Centro de Congressos do Estoril e do qual a IT Security é Media Partner – começou com uma sessão dedicada à NIS2 e aos instrumentos operacionais do Centro Nacional de Cibersegurança (CNCS).

Lino Santos, Coordenador do CNCS, explicou que o objetivo é mostrar em que ponto é que a regulação está e qual é o roadmap para o futuro. “A regulação tem de permitir uma maior previsibilidade do que é esperado das organizações. O Regime Jurídico do Ciberespaço tem uma abordagem académica perfeita; no entanto, não traz previsibilidade. As organizações têm um vazio à sua frente e não sabem por onde começar ou avaliar os seus riscos”, referiu.

O que o legislador tentou fazer com a transposição da NIS2 foi trazer essa previsibilidade. Depois de passos de autoquantificação, a organização consegue perceber que medidas tem de implementar. Após a transposição da NIS2, o regulamento terá de estar em consulta pública durante 30 dias – algo que o CNCS está pronto para que aconteça.

Um segundo princípio é o da proporcionalidade. O mesmo regime jurídico tem de ser aplicado a empresas de grande dimensão – com grande experiência e maturidade – e a pequenas empresas – que ainda não têm essa experiência”, afirma Lino Santos.

Por fim, o Coordenador do CNCS afirma que se procura a simplicidade por design. “O objetivo e aquilo que deve nortear o nosso trabalho é que haja uma coordenação entre autoridades competentes em cibersegurança e as autoridades setoriais para quando exigirmos uma determinada de cibersegurança estamos a cumprir com o regulamento NIS2 ou o regulamento do código da energia, por exemplo”, explica Lino Santos. 

O objetivo é que haja uma plataforma que evite a duplicação da informação”, refere o Coordenador, dando como exemplo o ataque à AMA em outubro, que obrigou a organização a comunicar junto de cinco entidades diferentes que tinha sofrido o ciberataque. Assim, o CNCS procura que as organizações tenham um trabalho mais simples e apenas tenha de notificar uma única entidade.

Atualmente, há dez países com implementação total da NIS2, sete de forma parcial e dez sem nenhum tipo de transposição. Assumindo que Portugal se inspira nas lições dos países que já implementaram, o modelo português segue o modelo belga.

Depois de se transpor a NIS2, será lançado um portal onde as entidades vão fazer a auto identificação de que são entidades reguladas. “A data em que esse portal é publicado serve de base para uma série de prazos: a partir daí, as entidades têm 60 dias para fazer o registo e é a data a partir do qual as organizações têm 24 meses para se adaptarem e estarem conforme a regulação”. Quando acabar o prazo de auto identificação, as organizações vão saber todos os requisitos mínimos que têm de cumprir nos próximos 24 meses.

O regulamento vai ter de contar com um novo quadro de referência para a cibersegurança – um processo que já realizamos – e não há é mais do que uma adaptação e atualização do Cybersecurity Framework do NIST”, diz Lino Santos.

Este regulamento também precisa da definição daquilo que é a matriz de risco típica para cada setor – saúde, energia ou transportes. “Esse trabalho foi feito no primeiro trimestre deste ano e trabalhamos com comunidades ou associações setoriais para construir essas matrizes de risco”, informa o Coordenador do CNCS.

Uma entidade que já faz uma gestão madura não tem de mudar o seu modus operandi. Uma entidade nova que passa a ser alargada pelo regulamento, tem uma receita nova para seguir”, explica. Deste modo, o CNCS “espera aumentar a resiliência e a segurança do país”.

Queremos fazer este caminho com as comunidades. O objetivo é ajudar-vos a crescer na maturidade de cibersegurança”, conclui.

 

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