Analysis
Um novo relatório da Europol revela que o crime organizado está cada vez mais digital, transnacional e infiltrado na economia legal. A Comissão Europeia quer reforçar os poderes da agência para responder à evolução das ameaças
30/06/2026
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A Comissão Europeia, a Europol e a Presidência cipriota do Conselho da União Europeia apresentaram uma nova análise sobre as redes criminosas mais perigosas que operam na Europa. O relatório traça um retrato da evolução do crime organizado e alerta para a crescente utilização de tecnologias digitais, estruturas empresariais legítimas e fluxos comerciais globais para expandir atividades ilícitas. O estudo analisou mais de 700 redes criminosas, que reúnem cerca de 400 mil membros provenientes de 118 países. Segundo a Europol, 85% destas organizações recorrem a empresas legais para facilitar ou ocultar as suas operações, evidenciando o grau de infiltração do crime organizado na economia. As redes identificadas estão envolvidas em atividades como tráfico de droga, cibercrime, auxílio à imigração ilegal, tráfico de seres humanos, fraude, branqueamento de capitais e modelos de “crime-as-a-service”, tornando-se cada vez mais flexíveis e difíceis de desmantelar. Segundo o relatório, estas organizações já não atuam de forma isolada, mas integram um ecossistema criminoso altamente adaptável, capaz de explorar rapidamente novas oportunidades e vulnerabilidades, sobretudo através da utilização de tecnologias digitais. A Europol considera que esta evolução obriga também as autoridades policiais a alterar a sua abordagem, deixando de concentrar esforços apenas na identificação de indivíduos para passar a combater as estruturas, os sistemas e as vulnerabilidades que sustentam estas redes. Neste contexto, a Comissão Europeia apresentou recentemente uma proposta para reforçar o mandato da Europol, dotando a agência de novos instrumentos legais, recursos e capacidades para investigar crimes cada vez mais digitais, transfronteiriços e tecnologicamente sofisticados. A iniciativa integra o pacote europeu de reforço da aplicação da lei e está alinhada com a estratégia europeia de segurança interna ProtectEU. Henna Virkkunen, vice-presidente executiva da Comissão Europeia para a Soberania Tecnológica, Segurança e Democracia, considera que o crime organizado está a adaptar-se rapidamente às características da sociedade digital. “O relatório mostra claramente que o crime organizado na Europa está a evoluir rapidamente e a explorar a abertura e a complexidade do nosso mundo interligado”, afirmou. A responsável acrescenta que estas redes estão a transformar vulnerabilidades sistémicas em oportunidades criminosas, representando uma ameaça para “a segurança, a economia e a democracia” europeias. Também Magnus Brunner, comissário europeu para os Assuntos Internos e Migração, defende que “compreender o inimigo é o primeiro passo para o derrotar”. Segundo o responsável, embora as competências em matéria de segurança permaneçam nacionais, “as soluções só podem ser europeias”, justificando a necessidade de atualizar o mandato da Europol para acelerar a cooperação entre os Estados-membros. O relatório reforça ainda a crescente importância da cibersegurança e da cooperação internacional no combate ao crime organizado, numa altura em que as redes criminosas recorrem cada vez mais à Inteligência Artificial, serviços digitais e infraestruturas globais para expandir as suas operações. |