Analysis
Um estudo da Cisco revela que a adoção de agentes de Inteligência Artificial está a ultrapassar a capacidade das organizações para monitorizar o seu comportamento, aumentando os desafios de segurança e controlo
22/10/2026
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A rápida adoção de agentes de Inteligência Artificial (IA) está a criar novos desafios de cibersegurança nas organizações. Segundo o relatório Splunk State of Observability 2026: Restoring Predictability in the AI Era, divulgado pela Cisco, 83% dos profissionais inquiridos manifestam preocupação com as consequências imprevistas destes sistemas, enquanto persistem dificuldades na monitorização do seu comportamento e na identificação de potenciais riscos. O estudo, realizado pela Oxford Economics junto de 2.050 profissionais de operações de IT e engenharia de dez países, revela que 87% consideram a monitorização da IA uma prioridade. No entanto, 54% ainda não associam essa monitorização a resultados de negócio concretos. À medida que os agentes de IA passam a ter acesso a diferentes componentes das infraestruturas tecnológicas e a executar tarefas de forma autónoma, a falta de visibilidade sobre as suas decisões pode dificultar a identificação de comportamentos inesperados ou potencialmente comprometedores. Falta de visibilidade dificulta controlo dos agentesSegundo o relatório, 56% dos inquiridos admitem não conseguir medir indicadores essenciais das workloads de IA, como a qualidade das respostas dos Large Language Models (LLM). Embora 85% considerem importante ter visibilidade sobre as alucinações dos modelos, apenas 58% afirmam conseguir monitorizar este fenómeno de forma eficaz. Esta dificuldade coloca desafios adicionais às equipas de segurança, sobretudo quando os agentes têm permissões para aceder a informação sensível ou interagir com sistemas empresariais. Colaboração entre segurança e observabilidade aumentaA crescente utilização de agentes de IA está a aproximar as equipas de operações tecnológicas e de cibersegurança. De acordo com o estudo, 81% dos participantes afirmam que a monitorização das workloads de IA contribuiu para aumentar a colaboração entre estas áreas. A percentagem de profissionais de observabilidade que trabalham diretamente com equipas de segurança na resolução de problemas passou de 62%, em 2025, para 77%, em 2026. A partilha de dados entre equipas também aumentou, de 74% para 84%. Em paralelo, 73% dos inquiridos afirmam conseguir identificar causas de segurança associadas a problemas de desempenho, face aos 65% registados no ano anterior. Os resultados sugerem uma maior convergência entre as funções de observabilidade e segurança, num contexto em que a análise conjunta de dados operacionais e de segurança se torna relevante para compreender o comportamento dos sistemas de IA. Custos e complexidade dificultam monitorizaçãoA expansão dos agentes de IA está também a aumentar a complexidade das infraestruturas e os custos associados à sua monitorização. Segundo o relatório, mais de metade dos inquiridos (55%) afirma não conseguir controlar os custos da IA, enquanto 60% consideram que os aumentos inesperados das despesas provocam maior pressão operacional do que custos elevados, mas previsíveis. Além disso, 57% indicam que os custos de telemetria ultrapassam os da própria infraestrutura monitorizada. A Cisco identifica a utilização de plataformas unificadas de observabilidade como uma abordagem para melhorar a visibilidade sobre os sistemas e os respetivos custos. Atualmente, 67% dos participantes afirmam utilizar uma plataforma única de observabilidade. Organizações mais avançadas reforçam integraçãoO estudo identifica um grupo de organizações com práticas de observabilidade mais desenvolvidas, caracterizadas pela monitorização da qualidade dos modelos, dos custos, da utilização dos sistemas, da segurança e da privacidade. Entre estas organizações, 94% afirmam que a monitorização da IA aumentou a colaboração com as equipas de segurança, comparativamente a 80% das restantes. Além disso, 86% conseguem relacionar problemas de desempenho com causas de segurança, face a 71% nas organizações com práticas menos avançadas. O relatório foi elaborado com base em inquéritos realizados entre fevereiro e março de 2026, abrangendo profissionais de 16 setores de atividade. Portugal não integrou a amostra. |