Analysis
O relatório anual da Hiscox sobre a preparação das empresas para enfrentarem ameaças digitais revela que as alterações regulatórias e legislativas relacionadas com cibersegurança e proteção de dados estão entre os riscos que mais preocupam as organizações
21/10/2025
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Mais de metade das Pequenas e Médias Empresas portuguesas foi alvo, pelo menos, de um ciberataque no último ano. 54% das PME portuguesas que sofreram ciberataques, incluindo perdas de dados, ataques DDoS e fraudes financeiras, apontam para impactos significativos nas operações e nas finanças das empresas. Os dados constam do Hiscox Cyber Readiness Report 2025, o relatório anual da Hiscox que avalia a preparação das empresas para enfrentar ameaças digitais e ciberincidentes a nível global. O estudo foi conduzido entre 29 de julho e 8 de agosto de 2025, com mais de 1.750 inquiridos, entre eles 250 em Portugal. De acordo com o relatório, as alterações regulatórias e legislativas relacionadas com cibersegurança e proteção de dados estão entre os riscos que mais preocupam as empresas (42%); a fraude ou os crimes de colarinho branco são outro dos riscos, apontado por 38% das empresas inquiridas. Outros riscos relevantes incluem eventos externos capazes de interromper a operação (36%) e a incapacidade de proteger os dados de clientes ou dados internos devido a falhas de segurança (36%). No caso dos impactos reais de ciberataques a empresas portuguesas, mais de um terço das PME afetadas reportam uma perda de dados não encriptados. Ataques de negação de serviço afetaram 41% das empresas inquiridas, enquanto 40% sofreram com perdas financeiras derivadas de fraudes, como o desvio de pagamentos através de emails fraudulentos. Outros impactos incluem o uso indevido de recursos de IT para fins ilícitos, a mineração de criptomoedas, a perda de dados encriptados e ataques ransomware. Para além das consequências diretas dos ataques, as empresas enfrentam impactos estratégicos e financeiros. Entre as PME afetadas, 30% reportaram maior dificuldade em atrair novos clientes, enquanto outras 30% indicaram ter provocado uma violação de dados de parceiros terceiros. O aumento de custos relacionados com a notificação de clientes afetados pelos ataques foi apontado por 29% das empresas, e a mesma percentagem registou uma redução nos indicadores de desempenho do negócio, como o preço das ações. Multas significativas, perda de clientes e de parceiros e impactos na reputação da marca foram outros efeitos elencados, demonstrando que os ciberataques afetam não só a operação imediata, mas também a viabilidade e a imagem da empresa a longo prazo. |