iTech
As novas capacidades do Commvault IDRecover vão permitir monitorizar alterações em diferentes plataformas de identidade, identificar privilégios críticos e orientar a correção de configurações de risco. As funcionalidades deverão ficar disponíveis em acesso antecipado nos próximos trimestres
04/11/2026
|
A Commvault anunciou novas funcionalidades de segurança e resiliência das identidades, destinadas a ajudar as organizações a identificar alterações suspeitas, detetar privilégios excessivos e recuperar configurações comprometidas em ambientes Microsoft Active Directory, Microsoft Entra ID e Okta. As capacidades serão integradas no portfólio Commvault IDRecover e procuram responder à crescente complexidade da gestão de identidades empresariais, particularmente em organizações que utilizam vários fornecedores e necessitam de proteger tanto contas humanas como identidades não humanas. A iniciativa surge num contexto em que os sistemas de identidade representam um alvo prioritário para os cibercriminosos, uma vez que o comprometimento de contas privilegiadas pode permitir o acesso a múltiplos recursos empresariais. Segundo os dados citados pela Commvault, 80% das grandes organizações utilizam vários fornecedores de identidade, o que aumenta a dificuldade de manter uma visão centralizada das permissões, configurações e relações de confiança. A proliferação de agentes de inteligência artificial e de identidades associadas a aplicações e serviços acrescenta novas exigências à monitorização destes ambientes. Com as novas funcionalidades, a Commvault pretende alargar a abordagem tradicional de recuperação de identidades, combinando a identificação de riscos com mecanismos de auditoria e orientações para a correção de configurações. O objetivo é permitir que as equipas de IT, segurança e gestão de identidades compreendam não apenas quais as alterações efetuadas nos sistemas, mas também o impacto potencial dessas alterações sobre os ativos mais críticos da organização. Monitorização transversal e identificação de privilégios críticosUma das principais novidades é a auditoria de identidades entre diferentes fornecedores, concebida para proporcionar visibilidade sobre alterações que afetem contas, permissões e configurações de acesso em ambientes Active Directory, Entra ID e Okta. Esta capacidade deverá permitir aos administradores acompanhar modificações realizadas em plataformas distintas, facilitando a identificação de alterações inesperadas que possam indicar erros de configuração ou atividade maliciosa. A Commvault pretende também disponibilizar funcionalidades de análise de riscos associados a identidades privilegiadas, com particular atenção aos ativos classificados como Tier 0, ou nível 0. Esta designação corresponde aos componentes e identidades com maior capacidade de controlo sobre a infraestrutura de identidade de uma organização, cujo comprometimento pode permitir a um atacante assumir privilégios elevados e afetar sistemas críticos. A nova capacidade de análise de informação sobre ataques a identidades deverá identificar estes ativos e determinar quais os utilizadores, contas ou outros elementos que possuem controlo sobre os mesmos. Através da criação de um inventário de nível 0, as equipas de segurança poderão obter uma visão mais abrangente das relações de privilégio e identificar configurações que aumentem o risco de comprometimento. Esta abordagem procura revelar exposições que podem passar despercebidas quando a análise se limita às permissões individuais, sem considerar as dependências entre diferentes sistemas e contas. As funcionalidades vão incluir ainda recomendações de correção apoiadas por Inteligência Artificial (IA), destinadas a explicar a origem dos riscos identificados e a orientar os administradores na resolução de problemas de acesso. Segundo a Commvault, estas orientações deverão facilitar a reversão de alterações indesejadas e a recuperação de configurações de identidade consideradas fiáveis, reduzindo a complexidade dos procedimentos necessários após um incidente. Recuperação de identidades ganha importância na resposta a ataquesA Commvault considera que a proteção das identidades exige uma abordagem que ultrapasse a prevenção do acesso não autorizado, uma vez que os atacantes podem modificar permissões, políticas e relações de confiança antes de serem detetados. Mesmo depois de uma conta comprometida ser bloqueada ou de o acesso malicioso ser interrompido, estas alterações podem permanecer nos sistemas, criando condições para novos incidentes ou dificultando a recuperação das operações. “Os atacantes não precisam de comprometer todos os sistemas. Basta-lhes comprometer as identidades que os controlam. À medida que proliferam os agentes de IA e as identidades não humanas, este risco continua a aumentar”, afirma, em comunicado, Pranay Ahlawat, diretor de Tecnologia e IA da Commvault. O responsável explica que a estratégia da empresa passa por ajudar os clientes a identificar quem controla os elementos mais críticos das suas infraestruturas de identidade, detetar alterações perigosas e restabelecer condições de acesso fiáveis quando ocorre um comprometimento. Esta preocupação é também destacada pela IDC, que identifica a deteção e resposta a ameaças de identidade como uma das principais prioridades de segurança neste domínio, seguida pela capacidade de recuperação. Segundo os dados citados por Emanuel Figueroa, analista sénior de investigação em segurança da gestão de identidades e acessos da IDC, apenas 47% das organizações dispõem de um plano completo de recuperação de identidades, evidenciando uma lacuna na preparação para incidentes que afetem diretórios e sistemas de autenticação. “Interromper a cadeia de ataque põe fim ao ataque, mas não às suas consequências: as alterações às permissões, à associação a grupos, às políticas e às relações de confiança podem persistir após a revogação do acesso”, explica Emanuel Figueroa. O analista acrescenta que os mecanismos de controlo de acessos, por si só, não permitem repor um diretório num estado previamente verificado, razão pela qual a recuperação está a assumir maior importância nos critérios de seleção de soluções de segurança. Para a IDC, a expansão das capacidades de recuperação da Commvault aos ambientes Active Directory, Entra ID e Okta reflete uma evolução do mercado de proteção de dados, com os fornecedores a procurarem responder também aos desafios associados à recuperação de sistemas de identidade. Esta convergência ganha relevância num cenário em que as identidades privilegiadas podem constituir um ponto de entrada para ataques com impacto sobre várias aplicações e infraestruturas empresariais. Novas funcionalidades chegam em acesso antecipadoAs capacidades de auditoria de identidades entre fornecedores e análise de riscos de identidade deverão ficar disponíveis em regime de acesso antecipado durante os próximos trimestres. A Commvault não especificou uma data de lançamento comercial, nem divulgou condições de licenciamento ou preços para as novas funcionalidades, que serão disponibilizadas no âmbito do portfólio Commvault IDRecover. A solução integra a estratégia da empresa para reforçar a resiliência das identidades, combinando mecanismos de deteção de riscos, monitorização de alterações e recuperação de configurações de acesso. Com a expansão anunciada, a Commvault pretende proporcionar uma visão mais abrangente dos ambientes de identidade empresariais, particularmente nas organizações que dependem de várias plataformas e necessitam de gerir um número crescente de contas, serviços e agentes de IA. O anúncio evidencia a crescente importância da recuperação dos sistemas de identidade nas estratégias de cibersegurança empresarial. À medida que os atacantes procuram explorar contas privilegiadas e relações de confiança para obter controlo sobre infraestruturas críticas, a capacidade de identificar alterações indevidas e restabelecer configurações seguras torna-se um complemento aos mecanismos tradicionais de prevenção e deteção. No entanto, as novas funcionalidades ainda não estão disponíveis de forma generalizada, pelo que a sua eficácia operacional dependerá da implementação e validação nos ambientes empresariais quando forem disponibilizadas. |