Opinion
Durante muitos anos, a cibersegurança foi encarada como uma responsabilidade exclusiva dos departamentos de informática. Cabia às equipas de IT instalar antivírus, configurar firewalls e garantir que os sistemas continuavam a funcionar
Por Paulo Barreto, Diretor do Departamento de IT da Neutroplast . 29/07/2026
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Hoje, essa realidade mudou profundamente. A entrada em vigor da diretiva NIS2 é mais uma demonstração de que a segurança digital passou a ser um tema estratégico para toda a organização. Um incidente de cibersegurança já não representa apenas um problema tecnológico; pode significar paragens de produção, atrasos nas entregas, perda de confiança dos clientes e impactos financeiros significativos. A NIS2 surge precisamente para responder a um contexto em que os riscos digitais se tornaram mais frequentes, mais sofisticados e mais difíceis de prever. A diretiva exige que as organizações adotem uma abordagem estruturada à gestão do risco, envolvendo não apenas tecnologia, mas também processos, pessoas e liderança. Para as grandes empresas, esta evolução representa mais uma etapa num percurso que muitas já iniciaram há vários anos. Para as pequenas e médias empresas, contudo, o desafio é diferente. As PME enfrentam a necessidade de responder a exigências cada vez maiores com recursos humanos, financeiros e tecnológicos necessariamente mais limitados. Esta realidade não deve ser ignorada. A implementação de medidas de segurança, a formação contínua das equipas, a monitorização de sistemas e a gestão dos riscos associados a fornecedores implicam investimento. Num mercado global cada vez mais competitivo, onde as margens são pressionadas por custos energéticos, matérias-primas e exigências regulatórias, cada novo requisito representa um esforço adicional. No entanto, seria um erro encarar a NIS2 apenas como mais uma obrigação administrativa. A verdadeira questão não é o custo da implementação, mas o custo da inação. Os ataques informáticos já não escolhem empresas pela sua dimensão. Muitas vezes, as organizações de menor dimensão são precisamente os alvos mais vulneráveis por disporem de menos recursos para prevenção e resposta. Acredito que a principal mudança trazida pela NIS2 é cultural. A diretiva obriga as empresas a reconhecerem que a segurança não pode estar confinada ao departamento de IT. A gestão de topo, os responsáveis operacionais e todos os colaboradores têm um papel a desempenhar na construção de uma organização mais resiliente. A NIS2 não deve ser vista como uma ameaça nem como um mero exercício de conformidade. Deve ser encarada como uma oportunidade para reforçar a maturidade das organizações, proteger os seus ativos e aumentar a confiança dos mercados onde operam. Num mundo cada vez mais digital, a segurança deixou de ser apenas uma questão tecnológica. É uma questão de negócio, de competitividade e de futuro. |