Threats
Check Point Research registou 2.139 vítimas de ransomware no segundo trimestre de 2026 e um recorde de 93 grupos ativos, num ecossistema cada vez mais apoiado por IA
20/08/2026
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O ransomware cresceu 33% em termos homólogos no segundo trimestre de 2026, com 2.139 vítimas identificadas em sites de fuga de dados. Apesar de o volume ter permanecido praticamente estável face ao trimestre anterior, o número de grupos ativos aumentou de 71 para 93, o valor mais elevado registado pela Check Point Research (CPR). Os dados mostram também uma maior fragmentação da atividade criminosa. Os dez grupos mais ativos foram responsáveis por 57,6% das vítimas, contra 71% no primeiro trimestre. O Qilin manteve a liderança pelo quarto trimestre consecutivo, com 279 vítimas, seguido de perto pelo The Gentlemen, com 269 e um crescimento trimestral de 62%. Em junho, este último chegou mesmo a ultrapassar o Qilin. A investigação ao cibergrupo The Gentlemen revelou ainda como a Inteligência Artificial (IA) está a reduzir as barreiras à entrada no cibercrime. O núcleo do grupo teria apenas cerca de nove elementos e recorria a uma rede de afiliados para realizar grande parte das intrusões. Segundo a CPR, o administrador do grupo criou o painel de gestão da operação em aproximadamente três dias, recorrendo a assistentes de programação baseados em IA, como DeepSeek e Qwen. A investigação não encontrou indícios de que a IA estivesse a executar autonomamente os ataques ou a selecionar vítimas, mas concluiu que estas ferramentas já permitem acelerar o desenvolvimento de infraestruturas criminosas complexas. O próprio modelo económico do ransomware está a mudar. A taxa de pagamento de resgates caiu de 85% em 2019 para cerca de 23% atualmente, à medida que as organizações reforçaram as cópias de segurança e os mecanismos de recuperação. Ainda assim, os pagamentos de ransomware registados na blockchain ultrapassaram 820 milhões de dólares em 2025. Esta evolução está a tornar o roubo de dados uma componente central da extorsão. Embora uma empresa possa recuperar sistemas encriptados através de cópias de segurança, não consegue recuperar a confidencialidade dos dados depois de estes terem sido exfiltrados. Os serviços empresariais concentraram 33% das vítimas no segundo trimestre, seguidos pelos bens e serviços de consumo, com 16%, e pela indústria transformadora, com 12%. Em termos geográficos, os Estados Unidos representaram 42% das vítimas publicadas, enquanto Canadá e Alemanha registaram 5% cada. Os gráficos das páginas 4 e 5 do relatório evidenciam esta concentração setorial e geográfica. A CPR alerta ainda para a redução do intervalo entre a divulgação de uma vulnerabilidade e a sua exploração, que pode atualmente ser de apenas algumas horas. A utilização de IA no desenvolvimento de código poderá aumentar esta pressão, reduzindo o tempo disponível para identificar e corrigir vulnerabilidades. Neste contexto, a Check Point defende uma estratégia de prevenção em várias camadas, abrangendo a proteção contra phishing e roubo de credenciais, segurança de rede, Zero Trust, gestão da exposição e deteção de exfiltração de dados. Para a empresa, o ransomware deixou assim de poder ser encarado apenas como um problema de malware. Tornou-se um ecossistema que combina roubo de credenciais, intermediários de acesso, redes de afiliados, ferramentas assistidas por IA e exfiltração de dados, permitindo que grupos mais pequenos atinjam rapidamente uma escala global. |