Analysis
Organizações portuguesas registam mais ataques em março que a média europeia, num cenário de pressão contínua e recuperação do ransomware
16/04/2026
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As organizações continuam sob forte pressão cibernética, com Portugal a manter-se acima da média europeia em número de ataques, segundo dados de março de 2026 da Check Point Research. Em média, foram registados 1.995 ciberataques semanais por organização a nível global, uma ligeira descida face a 2025 e ao mês anterior, mas ainda num patamar historicamente elevado. Em Portugal, o valor ascende a 2.051 ataques semanais, cerca de 400 acima da média europeia. Apesar da redução global, a tendência aponta para uma estabilização temporária, com os atacantes a adaptarem estratégias e a explorarem novas superfícies, impulsionados pela automação, cloud e adoção crescente de inteligência artificial generativa. Os setores da Educação, Administração Pública e Telecomunicações continuam entre os mais visados, devido à criticidade das operações e ao volume de dados sensíveis. Em paralelo, o setor de turismo registou um aumento significativo de ataques, acompanhando a aproximação da época alta. A nível geográfico, a América Latina lidera em volume de ataques, seguida da região APAC e África, enquanto a Europa mantém níveis elevados de exposição, apesar de uma ligeira descida. Em Portugal, além dos setores globais mais pressionados, destacam-se também serviços financeiros, indústria e retalho, com alguns destes segmentos a apresentarem níveis de risco acima da média internacional. Outro fator de preocupação é o impacto da GenAI. Segundo o relatório, uma em cada 28 interações com estas ferramentas apresenta risco elevado de fuga de dados, e 91% das organizações já enfrentaram este tipo de exposição. O ransomware voltou a ganhar tração, com 672 ataques reportados globalmente em março, um aumento face ao mês anterior. A Europa representa agora 24% dos incidentes, evidenciando uma maior focalização em alvos de elevado valor. O ecossistema de ransomware mantém-se fragmentado, com dezenas de grupos ativos e modelos de negócio baseados em Ransomware-as-a-Service, o que reforça a sua resiliência e capacidade de adaptação. |