Analysis
Um estudo da QNAP revela que 49% das organizações mantêm backups permanentemente online, sem mecanismos de proteção contra eliminação
29/10/2026
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Quase metade das organizações mantém backups vulneráveis à eliminação ou alteração por atacantes, apesar da crescente preocupação com a proteção dos dados. A conclusão consta do Relatório Global de Ciber-Resiliência Empresarial de 2026, divulgado pela QNAP, que identifica lacunas na proteção de identidades, na deteção de ameaças internas e na capacidade de recuperação após incidentes. O estudo, baseado em autoavaliações de 1.838 organizações de 93 países, revela que 922 empresas se encontram nos níveis de maturidade classificados como “Em Desenvolvimento” ou “Alto Risco”, representando cerca de metade da amostra. A análise avaliou onze medidas de controlo distribuídas por quatro áreas: proteção e backup de dados, controlo de identidade e acesso, monitorização de ameaças e defesa ativa, e continuidade e recuperação de negócio. Backups continuam expostos a ataques Embora 83% das organizações inquiridas mantenham backups fora das suas instalações, o relatório indica que 49% da amostra, correspondentes a 896 organizações, mantêm cópias de segurança permanentemente online, sem mecanismos de imutabilidade ou proteção contra eliminação. Esta exposição representa um risco em cenários de comprometimento de credenciais administrativas, uma vez que os atacantes podem conseguir eliminar, modificar ou encriptar os backups, comprometendo a recuperação dos sistemas após um ataque de ransomware. Os resultados evidenciam que a existência de cópias de segurança não garante, por si só, a capacidade de recuperação de uma organização. A proteção destes recursos contra alterações não autorizadas torna-se essencial para assegurar a continuidade das operações. Jack Liou, CEO da QNAP, considera que muitas organizações continuam a investir em mecanismos de segurança sem os alinhar com as técnicas utilizadas pelos atacantes. O responsável destaca que a capacidade de resistir a um incidente depende da proteção dos backups, da deteção de ameaças na rede interna e da rapidez de recuperação dos serviços essenciais. Proteção de identidades apresenta lacunas O estudo identifica também fragilidades nos mecanismos de autenticação utilizados para proteger os sistemas de armazenamento. Segundo a QNAP, 24% das organizações recorrem apenas a nomes de utilizador e palavras-passe para proteger o armazenamento principal, sem mecanismos adicionais de autenticação. Esta abordagem pode aumentar a exposição a ataques baseados no comprometimento de credenciais, sobretudo quando estas permitem acesso a sistemas críticos ou a recursos de armazenamento. A fabricante destaca a importância da autenticação multifator e do controlo de acesso baseado em funções (RBAC), que permitem reforçar a proteção das contas e limitar o impacto de eventuais acessos não autorizados. Redes internas permanecem sem monitorização A visibilidade sobre as redes internas constitui outra das principais fragilidades identificadas pelo relatório. De acordo com os resultados, 29% das organizações não dispõem de mecanismos de deteção de ameaças internas, enquanto apenas 13% implementaram sistemas de deteção de nível empresarial. Este último indicador representa o nível de adoção mais baixo entre as onze medidas de controlo avaliadas. A ausência de monitorização pode permitir que atacantes permaneçam nas infraestruturas sem serem detetados, realizando movimentos laterais entre sistemas antes de procederem ao roubo ou à encriptação de informação. Para reduzir esta exposição, a QNAP recomenda a adoção de mecanismos de deteção e resposta na rede (NDR), complementares às soluções de proteção dos endpoints, bem como a capacidade de isolar dispositivos comprometidos. Ciber-resiliência exige abordagem integrada Perante os resultados, a QNAP defende que as organizações devem evoluir de uma estratégia centrada exclusivamente no backup para uma abordagem de ciber-resiliência que integre prevenção, deteção, resposta e recuperação. Entre as medidas recomendadas estão a automatização e o isolamento dos backups, a utilização de armazenamento imutável, o reforço dos controlos de identidade e acesso e a implementação de mecanismos de monitorização das redes internas. A fabricante destaca ainda a importância de arquiteturas de alta disponibilidade para reduzir os tempos de recuperação e minimizar a interrupção dos serviços em caso de incidente. |