Para começar, e usando uma frase feita, já por muitos repetida, nos mais diversos fóruns sobre assuntos da área de Tech, IT, cyber e risk, a questão não é se vamos ou não presenciar e viver um evento de ciberataque, mas quando
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Ora então, pondo de lado a dúvida existencial Shakespeariana, não se trata de “ser, ou não ser…”, porque essa não é a “questão”. No entanto, em qualquer organização bem estruturada, com uma missão clara, valores arreigados, bem orientada estrategicamente, e bem gerida, surge a questão adicional, de como “fazer para não acontecer”, e se acontecer “pois que não seja agora”. Assim sendo, cada CEO, deve claramente delegar esta missão de evitar o pior e de gerir o risco, nos seus CIO e CFO. Os mesmos, terão preocupações legitimas e devem estar articulados e bem coordenados. Enquanto o CIO, sempre se preocupará, com as cada mais sofisticadas ciber ameaças, com o reforço das defesas e garantia de ciber resiliência, com a integração segura da IA, com gestão de risco na cadeia de abastecimento e terceiros, com a escassez de talento especializado em ciber segurança e com alinhamento da estratégia de TI com os objetivos de negócio, incluindo conformidade regulatória e gestão de riscos, o CFO terá legitimas preocupações com o impacto financeiro dos ataques (principalmente ransomware e extorsão digital), com a conformidade legal e regulatória e com a divulgação obrigatória trazida pela NIS 2, entre outros frameworks, com o risco de terceiros e de fornecedores, com os custos crescentes da mitigação de ciber ataques e ciber ameaças e com o aumento constante dos custos com seguros cibernéticos, assim como com os danos reputacionais e impacto para o valor da empresa e da marca, que resultem de quebra de confiança de investidores, clientes e parceiros, como resultado de eventos que envolvam principalmente violação de dados. Podemos dissecar ainda mais estes desafios, para que os mesmos fiquem claros, e evitemos a sina propalada em diversos fóruns “do ser, ou não ser, nunca é a questão…”. A cibersegurança continua a ser a prioridade máxima de qualquer CIO, com ataques cada vez mais complexos, incluindo ransomware e exploração de vulnerabilidades em cadeias de fornecimento. CIOs estão focados em reforçar defesas e garantir resiliência cibernética. A adoção de IA e automação traz riscos adicionais, como ataques baseados em IA e falta de governança. CIOs precisam equilibrar inovação com segurança. A falta de visibilidade sobre fornecedores e parceiros aumenta a exposição a ataques. Auditorias e contratos com cláusulas de segurança são essenciais. A dificuldade em contratar profissionais qualificados é crítica, levando à necessidade de requalificação interna e automação. Garantir que a estratégia de TI esteja alinhada aos objetivos do negócio, incluindo conformidade regulatória e gestão de riscos, é uma prioridade crescente. CFOs estão preocupados com custos diretos (resgate, recuperação) e indiretos (interrupção de negócios, danos reputacionais). Novas regras exigem relatórios rápidos sobre incidentes e programas de segurança, aumentando a pressão sobre CFOs para garantir compliance. Dependência de serviços externos amplia vulnerabilidades; CFOs devem avaliar cláusulas contratuais e seguros cibernéticos para mitigar riscos. Após incidentes, empresas enfrentam aumento significativo nos gastos com tecnologia, auditorias e seguros especializados. Violações de dados afetam confiança de clientes e investidores, com consequências financeiras de longo prazo. Não querendo pegar numa varinha de condão, para de seguida dar soluções para cada um dos desafios em cima, o que posso fazer é sugerir uma súmula de soluções práticas, conhecidas daqueles que todos os dias tentam contrariar a sina. De forma sumarizada posso elencar cada uma delas. Para os CIOs recomendo algumas medidas para cada desafio. Proteção contra ciberameaças sofisticadas
Integração segura de IA
Gestão de riscos na cadeia de fornecimento
Escassez de talento
Governança e alinhamento estratégico
Para os CFOs recomendo, também, algumas medidas para cada desafio. Impacto financeiro dos ataques
Conformidade regulatória
Riscos de terceiros
Custos crescentes
Danos reputacionais
Em suma, e citando Shakespeare, na componente sobre a vida e a morte, que o desafio que as organizações enfrentam no campo de jogo cibernético, a morte do negócio por via dos ciberataques, ou a vida por via da sobrevivência e resiliência, e não aceitando a sina estabelecida do jogo no palco da world wide web, em que “ser ou não ser” atacado, nunca “é a questão”, mas antes abracemos outra vez Hamlet e usemos como referência a notável frase "o mundo inteiro é um palco, e todos os homens e mulheres são apenas atores", para encararmos a ciber luta como um palco, em que todos são atores, desde ciber criminosos até homens e mulheres de bem que estão do lado da ciber defesa das suas empresas, da sua vida, da sua família e da sua prosperidade, sempre a tentar contrariar a sina, de forma robusta, consciente e coordenada, com políticas, estratégia, foco, investimento, coordenação e ação constante, neste palco que é a ciber luta, e em cada final o que se espera é que, “quem se defende bem e continuamente, de forma organizada e concertada” sobrevive “a quem ataca constantemente, de forma ávida, focada e impiedosa”. No final, todos desde CEOs, CFOs, CIOs, devem ter como missão da sua vida empresarial questionar o “ser ou não ser (atacado), nunca é a questão”, e seguir uma outra grande máxima de Shakespeare, “ser grande é abraçar uma causa”, e encarar a “IT Security” como a base da sua vida. |
Sérgio Sousa
Diretor de Sistemas de Informação e Comunicação
Aspöck Portugal
Sérgio Sousa é Diretor de Sistemas de Informação e Comunicação da Aspöck, com formação em Engenharia e Gestão Industrial e Eletrónica, com experiência como consultor na área de sistemas de informação e de estratégia em cibersegurança. Tem uma experiência abrangente em diversos setores, e combina competências técnicas e de gestão financeira e de ativos, que ajudam a explorar todo o ciclo de gestão e governança associado aos sistemas de informação e à cibersegurança.
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