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A Eset vai investir 40 milhões de euros em novas tecnologias de cibersegurança baseadas em inteligência artificial e reforçar a equipa de investigação para responder a novas ameaças
17/06/2026
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A Eset anunciou um investimento de 40 milhões de euros destinado ao desenvolvimento da próxima geração de tecnologias de cibersegurança impulsionadas por Inteligência Artificial (IA), numa aposta que visa responder ao crescimento de novas superfícies de ataque associadas a sistemas autónomos e agentes de IA. Segundo a empresa, a decisão resulta da crescente atividade observada em componentes utilizados por sistemas de IA para executar tarefas, interagir com aplicações e comunicar com serviços externos. Desde março de 2026, as tecnologias da Eset analisaram cerca de 800 mil componentes únicas associadas a ambientes de IA. Destas, aproximadamente 25 mil foram classificadas como suspeitas e mais de três mil foram bloqueadas por serem consideradas maliciosas. A empresa refere que este volume representa um crescimento de 13 vezes face às cerca de 60 mil componentes observadas no início do ano. Para Richard Marko, CEO da Eset, a indústria está a entrar numa nova fase da cibersegurança. “A inteligência artificial já não é apenas uma ferramenta de defesa. Está a tornar-se parte integrante da própria superfície de ataque”, afirma. A empresa considera que a rápida adoção de agentes autónomos e sistemas capazes de tomar decisões de forma independente está a criar novos pontos de exposição ao risco, exigindo abordagens de proteção específicas. Além do investimento financeiro, a Eset prevê reforçar a área de investigação e desenvolvimento ao longo dos próximos três anos, aumentando a equipa para mil investigadores e engenheiros. O plano estratégico assenta em três áreas principais: desenvolvimento de modelos fundamentais de IA focados em cibersegurança, criação de uma arquitetura de proteção para ambientes de IA e evolução dos Centros de Operações de Segurança (SOC) com recurso a inteligência artificial. No âmbito dos modelos de IA, a empresa pretende desenvolver sistemas próprios treinados com telemetria e informação de ameaças recolhida ao longo de quase 35 anos de atividade, em vez de recorrer exclusivamente a modelos generalistas treinados com dados públicos da Internet. A Eset planeia igualmente expandir tecnologias existentes como o Eset LiveGrid, LiveSense e LiveGuard, explorando novos modelos capazes de compreender comportamento, contexto e intenção em ambientes digitais. Outra das áreas de investimento será a proteção de ecossistemas de IA através de uma arquitetura de segurança dedicada. Entre os projetos anunciados encontra-se o Eset Secure AI Relay, uma camada intermédia destinada a proteger a interação entre utilizadores, agentes de IA, aplicações empresariais e modelos de inteligência artificial. A empresa pretende também desenvolver mecanismos de segurança para comunicações entre agentes de IA e novas capacidades de avaliação de competências associadas a ambientes de IA agentiva. Na área das operações de segurança, a Eset aposta numa nova geração de SOC baseados em IA, concebidos para processar e correlacionar volumes crescentes de informação de forma mais rápida e eficiente. Segundo a empresa, o objetivo não passa apenas por automatizar tarefas atualmente desempenhadas por analistas, mas por redefinir a forma como a telemetria de segurança é analisada e interpretada. A Eset afirma ainda que esta estratégia pretende reforçar a independência tecnológica europeia na área da cibersegurança, numa altura em que o desenvolvimento de modelos avançados de IA está concentrado num número reduzido de grandes fornecedores globais. “Acreditamos que o futuro da cibersegurança não pode depender inteiramente de modelos controlados pelas grandes empresas tecnológicas. Na cibersegurança, a soberania é importante”, conclui Richard Marko. |