Opinion
A confiança não é um departamento — é um sistema operativo. Manifesta-se em escolhas silenciosas: no que prometemos, na forma como o comprovamos e em como reagimos quando algo corre mal
Por Danielle Sheer, Chief Trust Officer na Commvault . 17/02/2026
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Sob a pressão do trabalho diário, a confiança ou escala ou estagna. Devemos tratá-la como qualquer sistema crítico: concebê-la de forma deliberada, instrumentá-la e explicá-la com clareza — com normas reconhecidas, mecanismos de segurança testados e um único plano de ação quando cada segundo conta. Uma função dedicada à Confiança transforma essa intenção num ritmo operacional. Porquê um Chief Trust Officer, e porquê agoraO Chief Trust Officer (CTrO) agrega trabalho que, regra geral, está fragmentado, abrangendo segurança, TI, produto, governação, jurídico, conformidade, privacidade, resposta a incidentes e comunicação. Quando gerida como um único programa, a Confiança torna-se uma capacidade mensurável que reduz fricção e impulsiona o crescimento. Do ponto de vista comercial, isso traduz-se em menos bloqueios no ciclo de vendas: normalizar a informação em que os clientes confiam (certificações, questionários de segurança, divulgações sobre IA), mantê-la atualizada e garantir que a narrativa comunicada corresponde aos controlos efetivamente implementados. É o tecido conector que falta a muitas equipas de liderança. Se antes a confiança era implícita, hoje é escrutinada. Clientes e parceiros exigem provas, os colaboradores querem clareza e o nível de escrutínio continua a alargar-se — desde regulamentos setoriais como a HIPAA e legislação global de privacidade (RGPD), até normas de segurança (ISO/IEC 27001, PCI DSS), governação corporativa (SOX) e o Regulamento Europeu da IA (EU AI Act). A mensagem é simples: governar de forma transparente. No âmbito da Confiança na minha própria empresa, focamo-nos em ações que geram resultados concretos. Aderimos à MITRE para partilhar inteligência sobre ameaças e elevar o nível de resiliência em todo o ecossistema. Reforçámos equipas globais de segurança e IA — da Índia a Israel — para aprofundar capacidades. E estabelecemos parcerias com empresas de IA para desenvolver estratégias de IA responsável para os nossos clientes empresariais. Em conjunto, estas iniciativas reduzem a fricção nos processos de diligência, melhoram a preparação e reforçam a confiança das partes interessadas. Um âmbito em mudança, impulsionado pela forma como construímos tecnologiaÀ medida que o software ganha maior autonomia através da IA, as perguntas deixam de ser apenas “É seguro?” para passarem a ser “Quando deve atuar, quem o supervisiona e como sabemos que se comportou como previsto?”. O CTrO ajuda a converter ambição em prática repetível, definindo critérios claros para quando a autonomia é adequada e assegurando resultados com responsabilidade. O Perfil de IA Generativa do NIST oferece às equipas uma linguagem comum para o risco dos modelos; a ISO/IEC 42001 torna a governação auditável, garantindo que a supervisão não é acrescentada apenas no final. Entretanto, a pressão para adotar IA não se manifesta apenas nas salas de conselho; acontece na periferia da organização. A Varonis refere que 98% dos colaboradores utilizam aplicações não autorizadas, incluindo shadow AI e shadow IT. Podemos encarar isto como um problema disciplinar ou como um sinal claro: as pessoas querem estas capacidades. O CTrO trabalha em parceria com o CSO/CISO e com o CPO/GC para disponibilizar ferramentas aprovadas, definir regras práticas para dados sensíveis e criar ambientes seguros de experimentação — para que inovação não seja sinónimo de exfiltração de dados. Em conjunto, estas medidas incorporam a responsabilização desde a conceção, antes de surgirem nos títulos dos jornais. O que fazem os CTrOs eficazesNo dia a dia, a função liga controlos técnicos (identidade, registos, proveniência, gestão de alterações) a alavancas mais humanas (cultura, incentivos, linguagem). É uma função bilingue: traduz deteções técnicas e risco dos modelos em decisões e compromissos ao nível do conselho de administração. É orientada ao produto: integra sinais de confiança na experiência do utilizador, permitindo que os clientes vejam os controlos em ação. E é operacional: ensaia decisões e comunicações para que a organização execute com eficácia quando realmente importa. A conclusão sobre a ConfiançaOs clientes esperam evidência, os reguladores exigem divulgações atempadas e consistentes, e os colaboradores esperam clareza. Sem um responsável único, instala-se a descoordenação — a segurança diz uma coisa, o produto diz outra, e a comunicação só toma conhecimento de ambas durante uma crise. Centralizar a responsabilidade permite falar a uma só voz e agir mais rapidamente quando o tempo começa a contar. Isto não é governação “nice to have”; é coreografia sob pressão. Dar a alguém o mandato e os mecanismos para gerir tudo de ponta a ponta é a forma de tornar a confiança observável e repetível. |