Opinion
A digitalização das operações, o trabalho remoto e a dependência crescente de sistemas de informação tornaram a segurança e a conformidade regulatória áreas críticas para qualquer organização, refletindo uma era em que a tecnologia é o motor da economia e da sociedade. Neste contexto, a conformidade em TI deixou de ser uma opção para passar a ser uma exigência legal e estratégica
Por Ricardo Oliveira, CSO da Eurotux . 07/08/2025
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A entrada em vigor da diretiva NIS2, que reforça as exigências de cibersegurança para entidades críticas e essenciais na União Europeia, é um exemplo claro da evolução do enquadramento legal. Esta nova diretiva exige não só a implementação de medidas técnicas robustas, mas também uma abordagem estratégica à gestão de riscos, com responsabilidades claras ao nível da liderança. O RGPD, por sua vez, veio consolidar a proteção dos dados pessoais como um direito fundamental. No entanto, muitos ainda veem estas obrigações como um “mal necessário”, em vez de as reconhecerem como uma oportunidade de ganhar a confiança dos seus clientes e parceiros. A verdade é que a conformidade vai muito além do cumprimento burocrático. Trata-se de assegurar que os sistemas de informação da organização estão preparados para resistir a ameaças, responder a incidentes e garantir a continuidade do negócio. A importância de uma abordagem integradaO mercado assiste a um aumento expressivo da procura por soluções que garantam a segurança dos sistemas e que disponham de monitorização contínua, possuam capacidade de resposta a incidentes, e produzam relatórios de conformidade claros e acionáveis. Esta tendência reflete uma mudança de paradigma: as organizações estão a deixar de ver a conformidade como um esforço isolado para o encarar como parte integrante da sua estratégia de TI. A experiência mostra-nos que a conformidade eficaz não se atinge com medidas avulsas. É necessário um ecossistema tecnológico coerente e resiliente, assente em três pilares fundamentais:
Esta abordagem permite não só cumprir as exigências legais como a NIS2 e o RGPD, mas também preparar a organização para responder a futuras regulamentações — como a DORA (Digital Operational Resilience Act), que trará novas exigências para o setor financeiro. Organizações que colocam a conformidade no centro da sua estratégia digital não estão apenas a evitar multas. Estão a proteger a sua reputação, a aumentar a resiliência do negócio e a ganhar vantagem competitiva num mercado em que a confiança é cada vez mais valorizada. |