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Ciber-resiliência: O mito da Deteção e Resposta como primeira linha de defesa

Investimos milhões em SOCs, EDRs e MDRs, mas será que estamos a começar pelo sítio certo? Os ciberataques tornaram-se tão inevitáveis como previsíveis e a indústria da cibersegurança tem-nos dito que, para estarmos protegidos, temos de investir em deteção e resposta - o que fizemos durante anos. No entanto, se a primeira linha de defesa é apenas deteção e o plano A é resposta a incidentes, já falhámos e viveremos em crise contínua.

Por David Grave, Security Director, Claranet Portugal . 04/12/2025

Ciber-resiliência: O mito da Deteção e Resposta como primeira linha de defesa

Existe uma obsessão coletiva com tecnologias de deteção e resposta. A verdade é que SOAR, XDR, MDR e threat hunting são, de facto, ferramentas poderosas, mas que não eliminam o problema: a falta de investimento na prevenção.

A resiliência cibernética não começa quando o alarme dispara, mas na compreensão profunda e holística do nosso ecossistema organizacional: em ter visibilidade total sobre a maturidade e evolução dos seus ativos. Se os CISOs não conseguem responder de imediato e com dados a perguntas sobre que ativos estão expostos, que vulnerabilidades existem, onde há lacunas de conformidade e como evoluiu a segurança no último trimestre, têm apenas esperança e não estratégia.

A Abordagem Necessária

Resiliência é, mais o que um slogan, uma disciplina operacional que integra segurança, continuidade de negócio e governança, permitindo prevenir o evitável, suportar o inevitável e aprender com os erros.

A verdadeira ciber-resiliência exige uma mudança radical de paradigma: da reação para a antecipação, da resposta para a prevenção informada, do perímetro para o ecossistema. 

Embora ainda subestimada, esta abordagem holística e proativa é fundamental e assenta em três pilares:

  1. Visibilidade contínua e contextualizada: Não basta ter um inventário de ativos; é fundamental entender o seu contexto: criticidade, interdependências, superfície de ataque e maturidade, pois sem essa visibilidade estamos a navegar às cegas e o primeiro ataque bem-sucedido irá expor essa fragilidade.

  2. Avaliação proativa de Maturidade: A avaliação contínua da postura de segurança, que identifica lacunas antes que se tornem incidentes, é o fator que distingue as organizações verdadeiramente resilientes, com soluções que mapeiam, avaliam e evoluem a maturidade de segurança em tempo real.

  3. Governança como fundação, não como cosmética: Governança eficaz significa ownership, processos testados e alinhamento estratégico ao mais alto nível de gestão. Sem estes alicerces sólidos, qualquer incidente se transforma numa crise. Ao mesmo tempo, regulamentos como NIS2 e DORA exigem investir na pré-deteção, reduzindo exposição e garantindo controlos com retorno imediato e mensurável. Por isso, a fórmula para a resiliência é clara: disciplina antes de velocidade, dados antes de ação e governança antes de tecnologia.

SOAR: a ferramenta certa na estratégia errada?

O SOAR (Security Orchestration, Automation and Response) é uma tecnologia transformadora que pode reduzir drasticamente os tempos de resposta, mas, sem uma estratégia prévia, é sinónimo de automação de caos. Sem conhecer os ativos críticos, e sem ter processos de resposta testados ou uma baseline de segurança clara, orquestrar a resposta é apenas acelerar a confusão.

A promessa do SOAR - automatizar playbooks, integrar ferramentas e acelerar a mitigação - só se concretiza quando existe uma fundação sólida de visibilidade, processos e governança, e o seu valor não está em «fazer mais depressa», mas em «fazer certo, sempre e sem esforço». Implementá-lo não compensa uma arquitetura inconsistente com acessos demasiado permissivos e pode gerar uma falsa sensação de segurança.

Entrámos numa nova era cibernética, onde a ciber-resiliência é o novo normal. O futuro já não está na tecnologia de resposta: está em antecipar, prever e mitigar antes do ataque, garantindo controlo e preparação operacional.

Como líderes em cibersegurança, há uma pergunta que nos devemos fazer: conhecemos o nosso ambiente digital ou apenas gerimos uma ilusão de controlo? A questão que permanece não é se seremos atacados, mas sim quando - e é essencial percebermos se estamos verdadeiramente preparados ou apenas convencidos disso.

 

Conteúdo co-produzido pela MediaNext e pela Claranet Portugal


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