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O modelo Zero Trust, conforme formalizado pelo NIST na Publicação Especial 800-207, afasta-se da noção de uma rede interna implicitamente confiável. Em vez disso, cada pedido de acesso é avaliado de forma dinâmica, com base na identidade, no estado do dispositivo, nas políticas e na telemetria em tempo real. O objetivo não é reforçar o perímetro, mas tomar decisões mais precisas e contínuas, excluindo por completo o conceito tradicional de perímetro como elemento central da segurança.
Na prática, Zero Trust representa uma mudança profunda de mentalidade, obrigando as organizações a repensar a forma como o acesso é concedido, monitorizado e revogado ao longo do tempo.
Na prática que significa Zero Trust:
- Definir primeiro a superfície a proteger - Implementações bem-sucedidas começam por identificar aplicações críticas, dados sensíveis e serviços essenciais. As políticas de acesso são então construídas em função de quem pode aceder a esses recursos e em que condições. As orientações oficiais são consistentes ao defender uma adoção incremental, em vez de transformações disruptivas de uma só vez, reduzindo riscos operacionais e facilitando a mudança organizacional.
- Passar do acesso à rede para o acesso à aplicação - Conceder conectividade ampla à rede cria exposição desnecessária. Os modelos modernos de Zero Trust substituem esta abordagem por acesso por aplicação e por sessão. A conectividade só é estabelecida após a validação da identidade e do contexto, reduzindo a superfície de ataque e limitando o movimento lateral, mesmo em cenários de comprometimento.
- Tratar identidade e postura do dispositivo como centrais - As credenciais do utilizador, por si só, já não são suficientes. Arquiteturas Zero Trust maduras avaliam continuamente o estado do dispositivo, a integridade do sistema operativo e a postura de segurança em conjunto com a identidade. As decisões de acesso adaptam-se automaticamente à medida que o nível de risco muda.
- Aplicar o princípio do menor privilégio de forma contínua - A confiança implícita é eliminada. Os privilégios são estritamente limitados, temporários e revalidados ao longo da sessão. Esta abordagem reduz significativamente o impacto de credenciais comprometidas e de ameaças internas, melhorando a capacidade de contenção.
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Aplicar políticas de forma consistente em todos os ambientes - À medida que as aplicações se distribuem entre datacenters, plataformas cloud e serviços SaaS, a aplicação das políticas deve acompanhar utilizadores e aplicações. Os modelos de segurança entregues a partir da cloud fornecem, cada vez mais, uma camada unificada de políticas, garantindo controlos consistentes independentemente da localização.
Da teoria à implementação
Um possível percurso pragmático segue normalmente três fases:
- Fase 1: Identificar aplicações de elevado valor, integrar fontes de identidade e iniciar pilotos de acesso ao nível da aplicação.
- Fase 2: Expandir a cobertura, incorporar verificações da postura dos dispositivos e reduzir a dependência de modelos tradicionais de acesso remoto.
- Fase 3: Utilizar telemetria para refinar políticas, minimizar privilégios permanentes e restringir ainda mais o movimento lateral.
O Zero Trust não é um produto isolado. É um modelo operacional assente na verificação contínua, no menor privilégio e no controlo de acesso preciso. Quando implementado de forma metódica, deixa de ser uma buzzword e passa a representar uma melhoria mensurável, sustentável e alinhada com os desafios atuais da postura de segurança.
Conteúdo co-produzido pela MediaNext e pela CSO
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