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Tem se tornado cada vez mais comum as equipas de cibersegurança se depararem com o caos causado pela quantidade de ataques à infraestrutura das empresas.
Por Maurício Prates, Security Consultant, CSO . 16/12/2025
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Alertas se acumulam a cada segundo em diferentes dashboards de diversas ferramentas, ao mesmo tempo é necessário agir tão rápido quanto os próprios atacantes. Neste cenário, SOAR (Security Orchestration, Automation, and Response), não é apenas mais um acrónimo no mundo da TI, está a se tornar o herói por detrás das operações de segurança moderna. Por anos, as organizações aprenderam a se preparar para ataques usando ferramentas de SIEM (Security Information and Event Management) que centralizam logs e detectam ameaças potenciais. SIEMs realizam um excelente trabalho em identificar o que está a acontecer, pois eles colectam logs, os correlacionam e geram alertam para ameaças em potencial. Entretanto há um problema: visibilidade sem agilidade já não é mais suficiente. Analistas ainda precisam fazer profundas investigações manuais, priorizar os alertas mais relevantes e responder a cada incidente. O resultado é fadiga, estresse e baixos tempos de reação que ocupam talentosos profissionais em tarefas repetitivas de triagem. É nesse ponto que o SOAR se destaca, não para substituir o SIEM, mas sim para dar-lhe super poderes. Plataformas de SOAR conectam os pontos entre ferramentas, pessoas e processos. Imagine um ambiente onde firewall, antivírus, filtros de e-mail e sistemas de gestão de incidentes conversam entre si com a mesma língua. Com SOAR é isso que acontece: ele integra a panóplia de ferramentas de segurança, automatiza tarefas que antes levavam horas, isola endpoints comprometidos, bloqueia IPs maliciosos ou ainda, através da integração com IA, pode melhorar os alertas dando-lhes melhores e mais detalhadas informações. O real valor do SOAR está na orquestração. Ele assume o papel de maestro enquanto que os seus instrumentos são o XDR (Extended Detection and Response), o SIEM e o seu feed de ameaças, entre outros. Cada um contribui a sua parte para que o SOAR possa garantir a harmonia e o tempo correto de atuação. Os playbooks da plataforma definem o que deve ser feito quando cada cenário específico é apresentado, reduzindo assim a fadiga e reforçando a consistência em toda a equipa. A orquestração não é apenas automação, é também inteligência. O SOAR aprende com os analistas coletando informações de bases de incidentes passados, ajustando os fluxos com o passar do tempo. Ao invés de substituir os profissionais, SOAR devolve-lhes as horas perdidas em investigações repetitivas de forma que eles possam focar em tarefas que tragam mais valor à empresa, investindo em estratégia e defesa pró-ativa. Algumas pessoas dizem que o SOAR faz com que o SIEM se torne obsoleto, mas na prática ambos se complementam. O SIEM continua a ser a torre de vigia, deteta anomalias e agrega dados. Enquanto que o SOAR é o responsável pela resposta rápida e atuação, agindo sobre os dados com velocidade e precisão. Juntos eles detetam, tomam decisões e agem rapidamente, algo que os centros de operações de segurança almejam, mas que poucos conseguem atingir sem automação. Se bem configurado, o SOAR pode trazer clareza ao caos. Codificando o conhecimento em playbooks ele pode capturar a intuição de um analista senior e propagar para toda a equipa. Com seus relatórios de conformidade, o SOAR pode ainda ajudar as empresas a alcançar as regras de segurança definidas nas normas ISO 27001, NIST, GDPR e outras, evitando penalidades legais e fortalecendo as defesas de segurança. Enquanto as ameaças evoluem e ficam cada vez mais sofisticadas, a real questão não é se o SOAR é melhor que o SIEM, mas sim, se a equipa de segurança consegue sobreviver sem ele. No mundo atual onde cada segundo para reação é valioso, o SOAR transforma reação em prontidão. Nesse sentido, SOAR é menos sobre tecnologia e mais sobre estratégia. Ele redefine o que significa operar com segurança em escala. Transforma esforços fragmentados em defesa coordenada e combate as constantes ameaças à cibersegurança.
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