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Durante anos, a cibersegurança foi vista como um destino final — algo que se conquista com tecnologia e formação. Hoje, percebemos que isso já não chega.
Por Luís Correia, Business Developer Manager, Divultec . 05/12/2025
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O mundo digital é demasiado dinâmico, interligado e imprevisível. A verdadeira diferença entre uma organização vulnerável e uma organização preparada está na sua ciber resiliência: a capacidade de resistir, adaptar-se e recuperar rapidamente de incidentes, sem perder a confiança de clientes, parceiros ou colaboradores. Ser ciber resiliente não é apenas evitar ataques — é aceitar que eles vão acontecer e preparar a organização para continuar a operar sob pressão. É alinhar e equilibrar o trinómio tecnologia, processos e pessoas de forma integrada. Um ransomware pode paralisar uma empresa durante dias; uma má configuração na cloud pode expor dados sensíveis em minutos; um simples erro humano pode comprometer todo um sistema. O impacto é inevitável — o colapso não precisa de ser. A Diretiva NIS2, que reforça as obrigações de segurança nos setores críticos e essenciais, veio consolidar esta exigência: já não basta proteger — é preciso demonstrar capacidade de resposta e continuidade. As organizações devem provar que possuem políticas, processos e recursos que lhes permitem detetar, reagir e recuperar de incidentes de forma estruturada. A ciber resiliência deixou de ser um tema técnico; tornou-se um imperativo de governação, gestão e responsabilidade, essencial à viabilidade económica e reputacional das organizações. Na prática, construir resiliência implica atuar em várias dimensões complementares:
Mas a ciber resiliência não vive apenas na tecnologia — vive na cultura organizacional, na atitude de cada colaborador. Um e-mail de phishing ignorado, uma palavra-passe reutilizada ou um dispositivo desatualizado podem ser o elo fraco. Reforçar a formação e a consciencialização é tão importante quanto investir em soluções de segurança. Quando todos compreendem o seu papel na proteção da organização, a resiliência deixa de ser uma política — passa a ser um reflexo natural do ADN empresarial. Em última análise, ser ciber resiliente é aceitar a imperfeição do digital, mas recusar a impreparação. É compreender que a confiança se constrói tanto na prevenção como na capacidade de reagir com serenidade e método quando algo falha. A ciber resiliência é um ato de maturidade e liderança consciente — a convicção de que, aconteça o que acontecer, estaremos prontos para responder, recuperar e continuar a servir. Num mundo em constante mudança, é esta confiança que distingue quem apenas sobrevive de quem verdadeiramente prospera.
Conteúdo co-produzido pela MediaNext e pela Divultec |