Analysis

Maioria das organizações enfrentam falta de competências em cibersegurança

Um estudo internacional da Barracuda revela que 68% das organizações têm dificuldades em responder aos riscos associados à inteligência artificial. Ao mesmo tempo, 56% reduziram equipas de segurança devido à IA, colocando em causa a formação de futuros especialistas

28/10/2026

Maioria das organizações enfrentam falta de competências em cibersegurança
TaylerDerden / AdobeStock

A escassez de competências em cibersegurança afeta 94% das organizações, numa altura em que a Inteligência Artificial (IA) está a transformar tanto as ameaças digitais como o funcionamento das equipas de segurança. A conclusão é de um estudo da Barracuda, realizado junto de dois mil responsáveis de IT e segurança de organizações com cem a dois mil colaboradores.

Segundo a investigação, 68% das organizações identificam lacunas de competências relacionadas com os riscos da IA, incluindo a capacidade de responder a ataques de phishing e engenharia social mais sofisticados. Outros 67% reconhecem dificuldades na resposta a ameaças avançadas de identidade, como Business Email Compromise (BEC), abuso de OAuth e técnicas de contorno da autenticação multifator.

O estudo, conduzido pela Arlington Research, abrangeu organizações dos Estados Unidos, Reino Unido, França, região DACH, Benelux, países nórdicos, Austrália, Índia e Japão.

Equipas de segurança enfrentam pressão crescente

A investigação revela que 67% das equipas de segurança estão sob pressão e têm dificuldades em acompanhar o crescimento das necessidades operacionais. Metade dos inquiridos afirma que as suas organizações esperam que a segurança acompanhe a expansão das operações digitais sem disponibilizar recursos adicionais.

Esta pressão tem consequências na capacidade de prevenção. Cerca de 32% dos responsáveis admitem que as suas organizações apenas conseguem responder às ameaças de forma reativa, em vez de adotarem uma abordagem preventiva.

As operações dos centros de segurança (SOC) constituem uma das principais dificuldades, com 77% dos inquiridos a identificarem problemas relacionados com o volume de alertas, a fadiga das equipas, a deteção e os tempos de resposta.

A Barracuda conclui que o desafio vai além da contratação de profissionais, envolvendo também a visibilidade sobre os sistemas, a integração das ferramentas e a capacidade de tomar decisões durante incidentes.

IA já levou à redução de equipas em 56% das organizações

A adoção de IA está igualmente a alterar a estrutura das equipas de cibersegurança. Segundo o relatório, 56% das organizações reduziram efetivos ou eliminaram funções de segurança devido à utilização da tecnologia.

Em particular, 36% dos inquiridos indicam que foram substituídas ou eliminadas funções de entrada na carreira, enquanto 33% reportam impactos semelhantes em posições de maior responsabilidade. As respostas não são mutuamente exclusivas.

Esta evolução poderá criar dificuldades na formação de futuros especialistas, uma vez que as funções mais básicas permitem tradicionalmente desenvolver experiência prática em análise de alertas, investigação e resposta a incidentes.

A Barracuda alerta que a eliminação destas oportunidades, sem a criação de percursos alternativos de aprendizagem, poderá agravar a escassez de profissionais com competências avançadas.

Decisões de segurança continuam dependentes de intervenção humana

Apesar do crescimento da automatização, a maioria das organizações mantém a intervenção humana nas decisões de resposta a incidentes.

O estudo revela que 69% combinam ferramentas de IA ou automatização com supervisão humana. Em 41% das organizações, os sistemas automatizados recomendam ações, mas a decisão final cabe aos profissionais. Noutros 28%, as investigações são conduzidas por especialistas com apoio da tecnologia.

Apenas 15% dos inquiridos indicam que os sistemas automatizados executam respostas com intervenção humana mínima.

Quando questionados sobre as prioridades para melhorar a segurança, 33% destacam a necessidade de maior visibilidade sobre identidades, aplicações, redes, dados, serviços de cloud e endpoints. Outros 32% apontam para ferramentas fiáveis de deteção e investigação assistidas por IA, enquanto apenas 23% identificam o reforço das equipas como principal necessidade.

Para a Barracuda, os resultados demonstram que a evolução da cibersegurança dependerá da combinação entre automatização, competências especializadas e supervisão humana. A fabricante considera essencial preservar a capacidade de investigação, decisão e resposta das equipas, mesmo quando a IA assume uma parte crescente das tarefas operacionais.


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